• Linguagem informal estreita relacionamento entre empresas e consumidores


    Em tempos de maior proximidade com o consumidor e facilitado pelos vários meios de comunicação (e tecnologia da informação), muitas empresas tem adotado um diálogo mais coloquial em seu dia a dia, no relacionamento com o cliente, afinal, sob a ótica do cliente “o prazer provém de poder falar na primeira pessoa, de dizer” eu” e de ser ouvido” (Chanlat e Bédard, 1992, p. 144).

    São várias as organizações que ganham notoriedade a partir desta comunicação empresarial mais jovial e em tom de amizade, tais como Nubank, Waze , Cemitério Jardim da Ressurreição (Cemi), Prefeitura de Curitiba, Netflix Brasil , dentre outras.

    Esse modelo de formato da linguagem (dentro dos canais formais), além de divertida, provoca simpatia e demonstra uma afinidade da marca com características particulares de algumas mídias sociais e, obviamente, estar afinado com o meio no qual você interage, acaba gerando credibilidade.

    Espalhe por ai:
  • A comunicação e o ser humano

    Não há dúvidas de que a Comunicação Social é um campo de estudo peculiarmente vasto, posto a infinidade de componentes que interferem na estrutura formal da comunicação (emissor, meio, mensagem e receptor). Com início na Grécia antiga, nas análises da retórica aristotélica, a Comunicação enquanto estudo evoluiu no sentido de compreender quais os comportamentos que a mensagem proporcionam em quem as recebe (manipulação e alienação) e como são propagadas.

    Após a abordagem do modelo de Laswell (quem – diz o quê – em qual meio – a quem – com quais efeitos), teve início o estudo empírico-experimental onde o receptor deixa de ser passivo e passa a fazer parte da estrutura da comunicação. Essa mudança, em meados da década de 40, postulou que a mensagem é absorvida pela receptor sem antes, porém, passar por uma série de “filtros” individuais e psicológicos.

    Nesse sentido, o estudo empírico-experimental tem certa semelhança com a doutrina Behaviorista (Skinner, 1945) que determinou o condicionamento como um mecanismo direto da função de estímulo e resposta. Assim sendo, podemos entender que a mensagem, ao ser recebida, passa por vários “filtros” inerentes ao receptor e ainda sofre a interferência de ruídos que, por definição, correspondem a qualquer coisa ou situação que prejudique o processo de transmissão da mensagem, como visto no vídeo que exemplifica esta postagem.

    Elcio Fernando Del Prete Miquelino
    Publicitário, Especialista e Consultor em Marketing e Professor Universitário.

    Espalhe por ai:
  • Cuidado com a utilização de bancos de imagens

    Os bancos de imagens constituem-se de um apoio importante para o designer e publicitário. Entretanto, por ser algo de uso genérico, em muitos casos, há que se ter noção do risco que isso pode originar.

    O nível de atenção das pessoas, principalmente nas redes sociais atuais, é alto e uma diligência mais apurada pode ferir sua marca, apenas por causa de um banco de imagem.

    Espalhe por ai:
  • Brand Equity e o Modelo CBBE de cálculo do valor de marca: comparação entre as cinco marcas mais valiosas do Brasil e Estados Unidos

    Fonte: Interbrands

    Brand Equity é um dos estudos da Gestão de Marcas, que por sua vez faz parte de uma das áreas do Marketing, dedicada à compreensão dos componentes que compõem uma marca, bem como suas estratégias (Branding). Segundo Aaker (1992) “Brand Equity é o conjunto de ativos e passivos ligados a uma marca que agrega (ou subtrai) o valor fornecido por um produto ou serviço a uma empresa e seus clientes”.

    Assim, brand equity é o valor (intangível e tangível) que uma marca adiciona aos produtos e serviços de uma empresa. Para o cálculo deste valor, ou seja, sua quantificação, existem vários modelos disponíveis. Um dos modelos de cálculo do valor de marca é o “Modelo CBBE” (Kevin, 2006). Neste modelo, são apurados quatro grupos de componentes: proeminência, performance, julgamentos/sentimentos e ressonância da marca.


    Na Figura acima  (comparativo do ranking do valor das marcas, entre as 5 marcas mais valiosas nos EUA e no Brasil. Fonte: Interbrands 2018) podemos perceber duas características bem determinantes. Uma delas é predominância de marcas de serviços relacionados a processos de inovação entre as mais valiosas, nos EUA, diferentemente do que acontece no Brasil, que predomina instituições financeiras e de bens de consumo não duráveis (cerveja). No caso, a força das instituições financeiras pode ser explicada devido às altas taxas de juros praticadas em nosso país, o que torna a operação deste mercado um tanto lucrativa, teoricamente.

    A outra característica a ser observada é justamente o item que está na base do modelo CBBE: a “Proeminência”. Este item está relacionado com a capacidade da marca em alcançar uma maior quantidade de público-alvo, ou seja, quanto maior a penetração da marca, mais valiosa ela é.


    Referências Bibliográficas

    Aaker, David. A. (1992) “The Value of Brand Equity”, Journal of Business Strategy, Vol. 13 Issue: 4, pp.27-32.
    Aaker, David. A. Marcas – Brand Equity. Gerenciamento o valor da marca. São Paulo: Editora Negócios. 1998.
    ROBERTS, Kevin. Lovemarks – O futuro além das marcas. São Paulo: M.Books, 2006 .
    Ranking Interbrands 2018. Disponível em https://www.interbrand.com/best-brands/best-global-brands/2018/ranking/




    Espalhe por ai:
  • Papai Noel e o Marketing

    Imagem: Pixabay

    Entre um ano e outro, vários acontecimentos formam a nossa existência. O ser humano, carente de novos heróis, necessita de apoios externos que justifiquem suas escolhas. Todo ser humano é provido de uma enorme base de necessidades individuais e coletivas, que se transformam em alicerce para a construção das relações interpessoais e intrapessoal. Quando não temos, queremos. O “ter” entremeia as percepções humanas sobre o mundo em que vive e o cerca.

    Inimaginável conceber a vida atual sem a existência da relação do ser humano com o consumo. O consumo move a economia mundial e sustenta as bases sociais para o crescimento conjunto. O ser humano tem uma relação muito direta com a experiência consumista, sem o caráter pejorativo que ora a palavra carrega.

    Os indivíduos possuem comportamentos distintos, mas têm, na relação da necessidade de consumo, semelhanças importantes. O ato do consumo é justificado pelos significados que damos aos produtos em nossas vidas. Sentimos desejos e manifestamo-os nas emoções, nos gestos e nas coisas que nos cercam. De acordo com Gade (1998), o ser humano tem necessidade de se manifestar aos pares, mediante a posse de produtos.

    Somos frutos de nossas escolhas e do que consumimos, influenciados pela sociedade e pelos estímulos externos e internos, além de interesses econômicos coletivos e individuais.

    Reforça esse entendimento o raciocínio de Slater (2002), no qual “a cultura do consumo é um meio privilegiado para negociar a identidade e o status numa sociedade pós-tradicional”. Em outras palavras, o consumo produz identidade, sentido e sociabilidade, paralelamente à satisfação das necessidades (Warnier, 2003).

    Entre tantos representantes da relação humana com o consumo, destacamos, em todo final de ano, a figura do “bom velhinho”, que reforça modelos inconscientes de relações que necessitam do consumo. Simbologia paterna, carismática, bondosa por natureza e que não mede esforço para presentear o familiar querido, o amigo distante e a criança praticante dos preceitos do bem. Segundo Miranda (2007), Papai Noel tem berço na Turquia, em 280 a.C, inspirada em um Bispo católico chamado São Nicolau. A indumentária na cor vermelha e branca surgiu em uma campanha publicitária, realizada por uma companhia americana (EUA) de refrigerantes (leia-se Coca-Cola). Hoje, esta significante “entidade” inspira multidões. O “ter” é anualmente evocado e reforça-se no ritmo econômico que embalam os períodos natalinos. O homem fica submetido a suas necessidades e a aspiração pelo consumo rege os grupos sociais primários, no tocante às trocas, entre esforços, produtos ou serviços.

    O Marketing, enquanto Ciência Social Aplicada, estuda o homem e seu comportamento na sociedade em que vive e suas relações de troca. Esta análise, se realizada de forma consistente e responsável, permite ao próprio homem desenvolver uma sociedade mais justa e vantajosa, baseada no consumo sustentável e coerente.

    A dinâmica capitalista define-se através do poder de compra. Este transforma-se em bens de consumo que, por sua vez, novamente gera o trabalho. Como afirma MARX ( 1996, p. 169 ), “O valor de uma mercadoria está para o valor de cada uma das outras mercadorias assim como o tempo de trabalho necessário para a produção de uma está para o tempo de trabalho necessário para a produção de outra”, e o possuidor do dinheiro torna-se, eminentemente, capitalista. De pouco vale o poder de compra acumulado (a poupança), como bem o ensinou Keynes, se não investido diretamente ou capitalizado para a geração de riqueza. Assim, o comércio estimula o consumo, criando, significando e ressignificando, retroagindo no ser humano como elemento semiótico, travestido de objetos, produtos, formas, desejos e até mesmo Papai Noel que, no período em voga, alimenta metaforicamente o sonho (in)consciente do consumo, estudado pelo marketing, dentro das relações de troca, como elemento comportamental e econômico de toda a sociedade.

    Espalhe por ai: