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Não vivemos juntos porque somos umas gracinhas, vivemos juntos porque precisamos trocar
23 de setembro de 2011 | Por Enrico Cardoso em empreendedorismo
Eu vivo lendo e vivenciando a realidade de como empreender é uma atividade solitária. Mesmo com uma ideia na cabeça e vontade de mudar o mundo, que tem milhões de habitantes, na maioria das vezes, estamos apenas eu e meus pensamentos. O grande problema é que essa solidão, muitas vezes cheia de dúvidas, receios e medos acabam, por nos afundar de vez no insucesso, na incerteza, e nos erros.Mas… é tão incoerente essa “necessária” solidão empreendedora. Se, por um lado tenho os livros, os artigos, os blogs, por outro tenho as dúvidas e o medo de, qual será o momento certo. Momento certo de que? Certo para continuar, certo para parar, certo para admitir o erro e colocar ponto final em tudo. Ou simplesmente o momento certo pra investir mais, pra não desistir e continuar.
Até porque, Seth Godin em seu livro “O Melhor do Mundo” cita o famoso vão que separa as pessoas bem sucedidas daquelas que fracassaram e deram errado. Depois de toda animação inicial (seja no início de um negócio, de um início em um emprego) que podemos chamar de “pico de alta motivação inicial”, este é substituído por um momento de queda que se estende por um determinado período de tempo – o vão.
E é esse vão que, se e QUANDO superado, que vai levar as pessoas ao seu objetivo final e colher os frutos sonhados lá no início. Seja isso uma carreira bem sucedida e feliz, ou o sucesso em um novo empreendimento, ou até no casamento.
O problema é que a solidão traz dúvidas se, realmente estamos apenas no vão de nossas carreiras e ideias, ou se realmente é o momento de sair fora e partir pra outra. Até porque, erros, falhas e problemas são coisas comuns na vida de um empreendedor que queira ter êxito.
“Todo novo projeto (emprego, hobby ou empresa) começa de maneira excitante e divertida. Depois, fica mais difícil menos divertido, até que atinge seu ponto mais baixo: extremamente difícil e nada divertido. Então você se pergunta se todo aquele sofrimento vale a pena” – Seth Godin, O Melhor do Mundo.
Bem, é de consenso geral de que o homem é um animal social. E, de que precisamos do próximo, precisamos viver em sociedade para não sermos consumidos pela solidão, pelas dúvidas, e pela depressão. Precisamos trocar. Trocar ideias, trocar vivências, trocar experiências, erros e virtudes. Precisamos de trocas para crescer, para aprender, para vencer os obstáculos e acabar com dúvidas.
Mas, como trocar vivência com as pessoas quando se está sozinho? Ou quando as pessoas preferem participar apenas observando? Ou pior, como trocar vivência com as pessoas quando, por algum motivo, elas estão querendo trocar coisas diferentes?
No caso do vão, dizem alguns especialistas que uma melhor visão da situação pelo LADO DE FORA, uma visão externa, muitas vezes nos mostra soluções, caminhos e situações que, quem está vivenciando os problemas no cotidiano não consegue perceber, como, por exemplo, se estamos realmente atravessando um vão, se o problema é menor do que imaginamos, ou se, realmente é hora de parar.
Eu vivo a solidão empreendedora, sei da real existência desse “troço”. Mas, eu contesto a sua necessidade, a sua importância e, principalmente a sua relevância. Se as nossas ideias vieram para mudar o mundo, porque é que acreditamos que somente com a nossa solidão vamos conseguir tudo isso?
A melhor definição de empreendedorismo que eu conheço é “contestar verdades absolutas”. E a solidão empreendedora é uma verdade absoluta que vem implícita e indiscutivelmente sendo aceita para quem empreende. E ela consome as ideias, as atitudes empreendedoras, o gás, a força de vontade e todo conhecimento que adquirimos.
Bem, se você acredita que empreender não é contestar verdades absolutas, é só dar um giro de 360 graus ao seu redor e ver que diariamente pessoas empreendem remando contra a maré das grandes verdades absolutas.
E, no meio disso tudo, eu me questiono se, a melhor maneira de se aprender, e de acabar com essa bendita solidão empreendedora não é trocar vivências, trocar ideias, trocar costumes, trocar erros, problemas e, fazer grandes escambos vida afora para que, além de espantar a solidão, transformemos o empreendedorismo em uma grande iniciativa cooperada.
As pessoas não se aproximam pelos belos olhos azuis das outras. Não se aproximam por um belo decote. As pessoas querem trocar. Trocar experiências, fluidos, ter alguém para compartilhar os problemas, as alegrias e as dúvidas, principalmente. E, no meio disso, o empreendedor segue trocando, consigo mesmo, problemas por dúvidas, e dúvidas por erros. Sim, errar é uma ótima forma de aprendizado, de experiência mas, muitas vezes pode ser evitado. E, muitas vezes evitar um erro, por menor que seja, PE evitar também o fracasso.
Apesar de ser uma jornada um tanto quanto solitária, não estamos sozinhos. Temos milhares de empreendedores também sozinhos e cheios de dúvidas em todos os cantos do mundo, esperando também que o empirismo os ajude na solução de tudo que vem pela frente.
O que eles querem com o empirismo? Na filosofia, o empirismo é um movimento onde a VIVÊNCIA, e a experiência são as únicas formadoras de ideias. A sabedoria adquirida por percepções. Obviamente que, quando falamos em empreendedorismo, PERCEPÇÃO é uma palavra essencial. O problema é que muitas vezes uma percepção otimista, animada e esperançosa, não condiz à realidade da percepção de uma pessoa que consegue enxergar as coisas de uma maneira menos apaixonada do que aquele que está todo dia trabalhando, fazendo e, principalmente TORCENDO pra tudo dar certo.
E porque que as pessoas ainda continuam sozinhas? Porque querem guardar segredos sobre seus negócios? Porque querem aprender sozinhos? Porque tem medo de perguntar? O mundo dos negócios cria uma rivalidade instantânea entre as pessoas que empreendem em um mesmo ramo. Porque o cara que abriu um restaurante hoje, e está na sua solidão empreendedora não pode, sair e perguntar pro cara que tem um restaurante bem-sucedido há milhares de anos aquelas dúvidas que não o deixam dormir direito a noite? E porque o cara que tem uma barraca na feira não pode ir pro dono de um supermercado perguntar sobre a expansão que ele vem tentando fazer há anos, sobre a quitanda que ele sempre quis montar e nunca conseguiu tirar do papel? Porque sim? Porque não? Mas, e se fizerem isso? Eu acredito que a pergunta mais importante no empreendedorismo é E SE? E se agente conseguir um mentor para quem possamos desabafar, para quem possamos compartilhar uma angústia, um problema de dinheiro, de funcionários, de vendas?
As pessoas pagam caro pra ir no psicólogo curar aquilo que agente tem de melhor dentro da gente, os conflitos e as loucuras. Mas, nosso orgulho não nos permite buscar por algum conselho empreendedor que cale algumas angústias e problemas que consomem nosso foco e nossa força empreendedora.
Não consigo ver coerência nisso. Porque a solidão empreendedora transforma-se em angústia e consome, muitas vezes até a esperança que temos na certeza de nosso negócio. E aí, quando não restam mais forças, não resta mais amor, não resta mais resiliência, a única alternativa é o ponto final.
O que eu to falando aqui não tem nada de novidade. Todo empreendedor, todo funcionário, todo profissional chega uma hora que se consome de dúvidas e angústias. Só que, muitas vezes, a mãe, a esposa e os amigos não são as pessoas certas para aconselhar os passos empreendedores.
Enrico Cardoso

















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