• Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa

    A frase é do Leonardo da Vinci. Mas, o mais incrível é a forma com que a nossa mente desenvolve inúmeras maneiras de aprendermos. O vício em aprendizado atrapalha na ação? Ou será que, o fato de a mente nunca se cansar de aprender não demonstra uma dependência em ficar tentando aprender? Porque eu acredito que, agente só prova que aprendeu quando coloca o aprendizado em prática. Ou será que alguém acha que, a melhor maneira de mostrar que aprendemos alguma coisa é fazendo provinhas de múltipla escolha, ou respondendo perguntas feitas por um professor? Não. A melhor maneira de mostrar que aprendemos é fazer na prática, aquilo que fala a teoria.

    A vantagem das provas é que, quando você erra, sempre tem alguém pra te corrigir, e muitas vezes aquilo vale apenas uma nota. Nota essa que sempre é possível recuperar, ainda mais no escasso modelo de educação em que somos criados. Mas, geralmente na vida real, quando agente erra tropeça de verdade. Isso porque muitas vezes não existe recuperação, não há segunda chance e, fazendo errado na primeira vez, tá reprovado. E qual é a única coisa que se pode fazer com os erros? Aprender. Aprender com os erros é a única coisa que sobra de quando agente comete um erro, seja ela grave ou não.

    Existe um ditado que diz que “errar é humano, mas persistir no erro é burrice”. Existe ainda outro ditado, esse  acho que muçulmano, que diz que “muitas vezes não temos culpa por errar uma vez; ele pode ser fruto de ignorância ou desconhecimento”. Mas que o erro, recorrente, é culpa nossa. Nós escolhemos errar.

    O erro é um dos temas mais belos sobre o empreendedorismo. E, mais renegado. É talvez o demônio. Só que, ao contrário da religião, o demônio nesse caso, mora dentro da gente. Mora dentro de mim, de você e, de todo mundo que respira. O ser humano é imperfeito. Feito pra errar. Até aí tudo bem. Só que temos a vergonha de errar, o medo do que vão pensar sobre nosso erro e, no meio de querer esconder o erro, por vergonha ou por medo, perdemos a grande oportunidade: aprender com o erro.

    Bem, não é porque PRECISAMOS aprender com o erro que temos que errar sempre pra aprender com eles. Também não é porque a mente nunca se cansa de aprender que precisamos errar pra termos mais aprendizado. Muito pelo contrário. Aqui, a capacidade de aprendizado, com os erros, e com tudo que tem ao nosso redor mostra que, é justamente porque a mente nunca se cansa de aprender que, temos cada vez que aprender mais e tentarmos errar menos, porque se deduz que, quando mais bagagem de aprendizado uma pessoa carrega, mais conhecimento ela tem e, com isso, menos chances de errar. Aprender com o erro é uma bela lição de humildade. Mesmo. Mas isso não quer dizer que ele – o erro – precisa ser a nossa única forma de aprendizado. Na verdade, ela é uma forma muito enriquecedora de aprendizado e, funciona para que não erremos a segunda vez, como o ditado mulçumano diz.

    Há algum tempo atrás, eu escrevi um pequeno artigo sobre as três formas de aprendizado que eu acredito serem eficazes. E eram elas: o exemplo, o susto e o erro. E não é porque a mente nunca se cansa de aprender que temos que errar sempre ou tomar susto sempre pra aprender. Uma pessoa que toma um susto de uma possível gravidez na juventude, quando descobre que aquilo não passou de um susto e não está grávida, vai aprender com isso e, se precaver para que ele não se repita no futuro. Isso sim demonstra que a pessoa aprendeu.

    Com o erro é a mesma coisa. Demonstramos que aprendemos quando não cometemos o mesmo erro, como eu já disse.

    Obviamente que a leitura e a cultura de um modo geral é uma ótima oportunidade de aprendizado, uma ótima bagagem que podemos criar para transformar conhecimento em ação, teoria em prática.

    Os erros e o susto entram na nossa bagagem de experiência. E daí vem a frase que ouvimos de avós, pais e mães: “escute a voz da experiência”. Isso porque, se ouvirmos o que as outras pessoas têm a ensinar, pra contar, pra alertar, podemos SIM aprender tanto quanto com as nossas experiências. A nossa experiência é tudo aquilo que o tempo, as sensações, as tentativas, os erros, os sustos e traumas nos ensinaram. Aquilo que aprendemos colocando o conhecimento em prática, ou arriscando, ou mergulhando no escuro. E talvez essa seja a maneira menos utilizada de aprendizado.

    Isso porque, por exemplo, a maioria das pessoas renega o aprendizado pelo erro. Já a experiência de terceiros parece, a meu ver, ser a única forma reconhecida e recomendada de aprendizado. Todo mundo da conselhos do tipo: respeite e escute os mais velhos; dê atenção ao que o professor fala; vá em tal curso/palestra; faça faculdade em tal universidade, leia a biografia de fulano, leia o livro de siclano, leia isto, leia aquilo.

    Isso é aprender com a experiência dos outros. Ler um livro é aprender com aquilo que o outro sabe. E isso tentamos fazer bem. Tentamos porque, a mente nunca se cansa de aprender, mas ela coloca o aprendizado recente por cima dos antigos e, por isso nos lembramos do aprendemos hoje, mas não nos lembramos daquela aula de feudalismo da sétima série.

    Ou seja, de um modo ou de outro, temos o hábito, o mau hábito, de colocar a responsabilidade do nosso aprendizado na mão dos outros. É responsabilidade do professor ensinar, mas ninguém fala da responsabilidade do aluno aprender. Falam na responsabilidade de boas notas. Mas, desde quando isso é aprendizado?

    É obrigação do curso de inglês ensinar você a sair fluente. Mas, de quem é a responsabilidade de aprender com a experiência, com o exemplo do professor? Temos que chamar a responsabilidade de aprender para nós mesmos. Quantas vezes fazemos alguma coisa que poderia nos ensinar alguma lição, mas depois do susto, depois do erro, depois que passou, afirmamos que não queremos nem lembrar daquilo que aconteceu?

    Será que, não estaria ali naquele susto, naquele erro, a grande oportunidade de aprendermos uma linda lição sobre alguma coisa que, amanhã ou depois vai nos ajudar em um momento de dúvida ou dificuldade?

    Ser ensinado pela vivência, experiência e exemplo dos outros é muito fácil. É fácil demais jogar a culpa por não termos aprendido a tabuada de oito no professor. MAS, ele já sabe. É responsabilidade de quem aprender?

    Existe muito a aprender com as nossas vivências, com as nossas experiências que, muitas vezes, por medo, por ignorância, por covardia ou falta de humildade tentamos esquecer, porque, “tudo que precisamos aprender está na faculdade, nos livros e nos cursos que estamos fazendo”. Ledo engano.

    Por fim, realmente a mente nunca se cansa de aprender. Só não podemos transformar esse aprendizado em um vício da vivência dos outros. Até porque assim, nunca passaremos de meros expectadores da experiência alheia. Seremos sempre vítimas daquilo que querem ensinar para nós mesmos. Por medo de arriscar, de errar, ou tomar um susto, muitas vezes não somos capazes de dar um passo a frente e transformar o processo de aprendizagem em uma coisa didática onde, alguém me ensina sua experiência, sua vivência, e eu complemento com aquilo que eu vivo, que eu experimento, que eu erro, que eu acerto, que eu tento.

    O aprendizado é um caminho. Você pode percorrer o seu próprio, ou fazer um tour pelo dos outros. A decisão é nossa.

    A imaginação não é apenas mais importante que o conhecimento. É sim, uma ferramenta dele.

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    Comentários


    1. […] #1. Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa. A capacidade de aprender é fascinante. E, mais fascinante ainda é quando usamos o aprendizado pro bem, ao nosso favor, para mudar a vida das pessoas. […]

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