• A resposta certa não muda nada. O essencial é que as perguntas estejam certas

    A frase do título é de Mário Quintana e da o tom sobre uma coisa que poucas pessoas percebem: a importância de se questionar as coisas.

    Se fizermos uma síntese sobre o aprendizado, vamos chegar a uma bela conclusão: que podemos aprender de duas maneiras, com a nossa vivência, e com a vivência dos outros. E, se pararmos pra pensar, tudo se encaixa em um lado ou outro dessa equação. Livros, palestras, aulas, vídeos, reuniões, tudo isso pode gerar aprendizado. E, em todos esses exemplos temos a vivência e a experiência dos outros que nos ensinam. Uma aula, uma palestra ou um livro, nada mais é do que o relato da experiência, do conhecimento de uma outra pessoa. E, claro, existe também aquilo que aprendemos com nossa experiência, com nossa vida, conosco. Um erro é uma maneira de aprendermos pela nossa experiência. Mas, a mais bela maneira de se aprender é questionar o porquê das coisas.

    E é sobre questionar o porquê das coisas que eu quero falar. Porque acho isso genial. Eu acho as convenções, a tradição e algumas regras simplesmente feitas para serem questionadas.

    E vejo que muitas pessoas que fizeram isso conseguiram ir além. Acabei de ler a biografia de Steve Jobs. E vi que isso era uma coisa que ele fazia diariamente com aquele que os outros a seu redor chamam de “campo de distorção da realidade”. Foi assim que ele conseguiu convencer Steve Wozniak a produzir um jogo para a Atari em menos tempo, foi assim que ele convenceu Jonny Ive que dava tempo de fazer o iPod em seis meses, foi assim que ele convenceu o dono da fábrica que produz os vidros dos iPhones e iPads a fazer o vidro quando ele disse que não tinha como produzir a quantidade que Jobs precisava.

    Ele questionou o porque das coisas. E, com um brilhantismo tremendo ele conseguiu aquilo que outras pessoas não sabiam que seriam capazes. Portanto, respostas como “não, porque não”, “sim, porque sim”, “não vai dar tempo porque tá em cima da hora”, muitas vezes são apenas desculpa de pessoas que não tem razões verdadeiras para dialogar sobre o porque das coisas.

    Quando aceitamos as coisas como verdades absolutas, simplesmente perdemos uma grande oportunidade de aprender mais sobre aquilo, sobre ter uma outra visão sobre determinado assunto e, afastamos muitas oportunidades.

    Muitos dizem que, se Ford perguntasse pras pessoas o que elas queriam quando ele inventou o automóvel, elas iriam dizer que queriam apenas um cavalo mais rápido. E o que ele fez? Ele ignorou o que as pessoas pensavam que queriam ignorou que o transporte da época era o cavalo. Assim, ele questionou se havia alguma maneira de fazer melhor e, chegou ao primeiro veículo que, certamente era um cavalo mais rápido, mas muito mais do que apenas isso.

    Ele questionou os costumes, questionou os hábitos e questionou a tecnologia da época. Porque assim ele pode desenvolver um produto que era impossível, porque não levou a sério o censo comum.

    Já Jobs dizia que nunca fez pesquisa de mercado com clientes. Ele dizia que, se você perguntasse às pessoas o que elas queriam, elas diriam que iam querer um produto mais barato, mais rápido e mais bonito. E isso na verdade não quer dizer nada. Portanto Jobs dizia que a sua estratégia na Apple era oferecer aos clientes produtos que nem elas mesmas sabiam que precisavam.

    Porque? Porque ele foi além de apenas pesquisas, apenas ouvir o consumidor. Ele os questionou. E chegou muito além.

    É assim que coisas maravilhosas são produzidas. É assim que a mola do conhecimento impulsiona coisas maravilhosas de progresso e inovação. E, talvez essa seja a coisa mais importante sobre ser inovador.

    Questionar.

    Temos que questionar o comportamento dos clientes, o comportamento do nosso concorrente, o comportamento do mercado. Questionar se estamos indo pro caminho correto, se estamos desenvolvendo produtos corretamente, se estamos produzindo conforme planejamos e, principalmente questionar se estamos cumprindo as promessas que fizemos para nós mesmos.

    Não vejo maneira melhor de aprender. De aprender sobre pessoas, sobre empresas, sobre decisões, sobre produtos, sobre o funcionamento das coisas. E não existe jeito melhor de mudar as coisas. Se você não questiona, não aprende como a coisa funciona, fica difícil mudá-la.

    A melhor maneira de um vendedor conhecer seu cliente é fazendo perguntas, e a melhor maneira de ele identificar e aprender suas necessidades é questionando. É questionando pessoas, verdades absolutas e tabus que fazemos novos conhecimentos, que enxergamos um novo ângulo de ver as coisas, que encontramos a receita para a inovação.

    Se Steve Jobs e Henry Ford tivessem dado ouvidos à massa, talvez hoje o que tivéssemos de mais rápido fosse uma bicicleta.

    Os grandes gênios questionam as coisas, questionam o comportamento e, com isso vão além. E assim, somos presenteados com inovações que revolucionam os mercados e acarretam grandes mudanças. Portanto, quando alguém for lhe dizer alguma grande verdade, não aceite logo de cara. Questione, argumente, pergunte. O silêncio, a aceitação são os motores da auto-sabotagem. Acreditar em tudo que lhe dizem como verdade absoluta é o caminho sem volta para a submissão e para burrice.

    Questionar é aprender. Aprender por si mesmo, aprender sobre si mesmo. Tudo tem um porque e, se as coisas não estiverem bem explicadas, tem um jeito de mudar.

    Acorda!! Tá na hora de mudar o mundo.

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    Comentários


    1. [...] #2. A resposta certa não muda nada. O essencial é que as perguntas estejam certas. Este é mais um artigo publicado no blog AveMarketing. Na verdade é um questionamento sobre verdades absolutas, questionamentos e crenças. As respostas certas não nos conduzem a lugar nenhum. Mas as perguntas certas nos conduzem para respostas inimagináveis. Essa é a maneira mais inteligente e sábia de empreender e tocar o coração das pessoas. [...]

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