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Eu vejo eles dançando, em cima do muro…
6 de janeiro de 2012 | Por Enrico Cardoso em Marketing…no meio do mundo. No meio do mundo dividido. Capital Inicial.
Uma das coisas que eu achei fantástico após ler a biografia de Steve Jobs foi descobrir a maneira com que ele concebia os produtos. Primeiro o design, depois a engenharia. A engenharia precisava se adequar ao design, à concepção do produto e à ideia que ele queria passar. E não o contrário.Assim, Jobs podia exercitar aquilo que em minha opinião mais o ajudava no trabalho da inovação de produtos: a imaginação. E eu não sei se esse assunto, a imaginação já foi tema de algum livro de negócios, marketing, inovação ou empreendedorismo. Mas, sei que é justamente ela, a imaginação o ingrediente essencial para criar a personalidade de uma marca.
E nesse primeiro artigo pro avemarketing de 2012 eu quero fazer uma pequena reflexão sobre imaginação, marketing, inovação e empreendedorismo. Os livros podem ensinar como programar uma campanha de marketing que arrebenta. Ensinam como despertar o comportamento empreendedor, como estruturar e planejar um plano de marketing e toda a estratégia de marketing.
Mas, eles não conseguem ainda ensinar, passo-a-passo sobre como transformar a personalidade de uma empresa, de como imaginar empresas, produtos e tecnologias que vão romper com tudo.
Na verdade, se você acha que a sua empresa não tem personalidade, na verdade ela já possui uma personalidade errada. Da mesma maneira, se na cabeça dos líderes falta imaginação, as coisas tendem a caminhar pro buraco. A imaginação talvez seja o mais salvador e aniquilador nisso tudo. A falta dela, assim como o excesso, leva qualquer empresa, qualquer produto, qualquer estratégia, para o buraco. Portanto, equilibrar imaginação com pé no chão é o desafio maior disso tudo. Mas, os livros vivem incentivando o pé no chão, porque a cabeça nas nuvens faz mal. O problema é que, a cabeça nas nuvens pode fazer mal, mas a cabeça fora dela é desastroso. Talvez por isso, por esse grande incentivo que temos de manter o pé no chão, é que ultimamente somos bombardeados com tantos produtos e empresas sem graça nenhuma, sem nenhuma pitada de imaginação.
A dose certa de imaginação rompe barreiras. Para alcançar o estado da arte, para chegar à perfeição é preciso imaginar e conceber o que é perfeito. A atitude de Steve Jobs de conceber primeiro o design de seus produtos mostra o quanto isso é importante. Steve fazia primeiro o desenho do produto. Fazia primeiro aquilo com que o consumidor vai ter contato. O consumidor não tem contato com a engenharia do produto, com aquilo que o faz funcionar. Dificilmente alguém quer um iPod, iPad ou iPhone porque ele tem uma engenharia sensacional. As pessoas querem porque o design é legal, é bonito, cool.
Esse será um bom começo. Ao levar a sério a cultura da imaginação, você estará implementando a cultura da inovação.
Eu não defendo 100% de imaginação. Assim como, em uma alimentação o sal faz mal em excesso, a falta dele tira o gosto dos alimentos. O mesmo acontece com a imaginação. 100% de imaginação aniquila com qualquer empresa, com qualquer produto e qualquer ideia. Mas nada de imaginação causa o mesmo mal, faz a coisa ficar sem sal, esquisita, sem graça. A receita certa da imaginação? Saiba que você precisa imaginar, precisa se diferenciar, precisa ser atraente e, ao mesmo tempo precisa pagar as contas, precisa produzir, precisa sair do zero e, precisa respeitar os prazos.
Pessoas precisam de liberdade para imaginar. Para imaginar um produto, para imaginar uma campanha, para imaginar novas maneiras de fazer aquilo que todo mundo já sabe. A imaginação é o ingrediente. Não a engenharia.
O último livro que li em 2011 foi “A Imaginação” de Jean-Paul Sartre. Esse é, na verdade um dos primeiros estudos de Sartre que, quando escreveu “A Imaginação” ainda era um garoto de vinte e poucos anos que ousava imaginar as coisas. Logo na introdução do livro, Sartre disserta sobre o poder da folha em branco e nos da a profundidade do poder da imaginação. Ele diz que, pra aquela pessoa que imagina, uma folha em branco nunca será uma folha em branco. Porque a imaginação já está projetando nessa folha, aquilo que o seu escritor já está pensando e imaginando escrever. Por isso, mesmo sendo uma folha em branco, na mente do escritor, ela já está preenchida, está pintada pela tinta da caneta.
Por outro lado, pra quem não imagina, uma folha em branco não deixa de ser um imenso vazio. Um vazio de ideias, de palavras e de imaginação.Acredito que esse exemplo valha para tudo. E, no caso de Jobs, ele parecia saber disso. Parecia saber que, um novo produto nunca era uma folha em branco. Ela sempre estava sendo preenchida de alguma maneira em sua imaginação. E, durante esse processo, da folha branca se transformar a folha preenchida da imaginação ele não hesitava em apagar a folha e escrever novamente. Olha nós aqui. Fazem três meses que Jobs morreu e ainda estamos falando dele, de seus métodos, de sua maneira de pensar. E teremos assuntos, histórias e ensinamentos pra discutir por ainda muitos anos.
O design na frente. A imaginação na frente. Ouse imaginar. Não há receita sobre como imaginar. Mas, há a receita de que imaginar da certo. Os engravatados engomadinhos estão aí, debruçando-se sobre o mundo querendo sugar alguma imaginação que possa dar certo.
O que acontece no empreendedorismo, na inovação, no lançamento de produtos, no marketing, nas vendas e em todos os lugares é que as pessoas ficam em cima do muro, esperando alguém que tem imaginação e petulância o suficiente pra mudar as coisas, redefinir os mercados e produtos pra poder pegar carona.
E é assim, desde que o mundo é mundo. Você pode ficar esperando, espreitando no muro, algum grande imaginador fazer o seu trabalho e pegar carona. Ou, você pode usar seu tempo pra imaginar como você quer ver as coisas.
Já Einstein, há algumas dezenas de anos disse que “a imaginação é mais importante do que o conhecimento”. Isso se deve porque imaginar a essência não é fácil, mas depois que a ideia tá pronta, que já foi pensado, que já foi imaginado, que já foi concebido, existe conhecimento de sobra pra colocar em uma caixa e produzir. A imaginação comanda. E não ao contrário.
Não deixe as barreiras impedirem sua imaginação. Não deixe que a falta de conhecimento ou tecnologia impeçam sua imaginação. Se a imaginação estiver à frente do tempo, espere que exista tecnologia para ela. E quando tiver, faça com que a tecnologia se adapte a ela, e não o contrário.
Faça de 2012 o ano da imaginação. Leve a imaginação pra dentro das empresas, pra dentro das casas e pra cultura das pessoas. Ouse imaginar, ouse dar liberdade para os outros imaginarem e, as coisas fora da caixa começaram a aparecer. Produtos, pessoas, inovação, marketing, etc. Tudo com imaginação fica mais rico. E, riqueza com imaginação tem muito mais graça.
Imaginação simplesmente rulez! Não se esqueça.
Acorda!! Tá na hora de mudar os rumos do marketing.
Enrico Cardoso
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Enrico Cardoso
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