• Carnaval, uma apoteose de alegria

    Imagem/Fonte: Adriano Vizoni/Folhapress. Disponível em http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/6589-x-9-paulistana#foto-125732

    Que o carnaval é uma festa onde a alegria vem a tona, isso não se discute. Também é tempo de amores passageiros e de sexo fácil, na cabeça de alguns. É um período onde jovens e adultos se permitem realizar fantasias sob o mantra do “no carnaval pode tudo”.  Claro que, do ponto de vista do comportamento, o ato de extravazar sentimentos de felicidade e cultuar o riso em conjunto é uma prática salutar e deveras bem vinda. “- Ah que bom seria se tivessemos a mesma alegria e inspiração ao realizar outras atividades em nosso cotidiano”.

    Mas, o carnaval, por suposto, é mais um ato encenado na grande teatralização que é nossa vida. Pierrôs e Colombinas se misturam aos demais personagens da folião do Rei Momo, em show de luzes e cantorias. Para muitos, vindos da grande massa, o carnaval é o momento épico de coroação da oportunidade de ser algo ou alguém diferente. É o encontro com o “eu” projetado em um sonho de todo um ano que, a duras penas, faz do esforço pessoal o alimento para a emoção fácil. O prazer supera a dor física, a dificuldade financeira e as agruras do dia a dia para, naquele momento único, cada indivíduo representar um estandarte de felicidade.

    Carnaval é, também, o culto ao corpo. Não é de hoje que corpo, consumo e mídia se fundem para afirmarem que realidade e aparência devem ser algo único. E jsutamente, a realidade e aparência fomentam boa parte da alienação que controla os comportamentos humanos, tal qual no carnaval. Observe a definição abaixo, de Baudrillard, e como se encaixa perfeitamente na “apoteose de alegria”.

    “A ética da beleza, que também é a da moda, pode definir-se como a redução de todos os valores concretos e dos Valores de uso’ do corpo (energético, gestual e sexual), ao único ‘valor de permuta’ funcional que, na sua abstração, resume por si só a idéia de corpo glorioso e realizado” (BAUDRILLARD, 1985,p. 141).

    O culto ao corpo, já alardeado pela mitologia Grega, pelo cinema, hoje está escancarado em cada esquina, como resultado da produção industrial e cultural – aqui novamente se enquadra o carnaval, como fruto da produção cultural e alimentado pelo consumo cultural.

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