• Paixão, o P de Marketing renegado

    Produto, praça, preço e promoção, não é isso?!? Bem, no meu entendimento, e no de um monte de gente, o marketing não é mais o mesmo.

    É verdade que o marketing de uma empresa virou uma atividade cooperada? Afinal, qual é o papel do marketing nas empresas hoje em dia? WTF paixão está fazendo dentro do mix dos “pês” de marketing?

    Se você não sabe a resposta para nenhuma dessas perguntas, você precisa – e MUITO! – ler esse artigo. Sua empresa e/ou carreira pode estar em risco.

    Há muito já se foi embora aquele consenso geral de que marketing se fazia apenas com quatro pês. Hoje, muito mais fatores do que se imagina compõem o mix de marketing de uma empresa. Pessoas, processos, planejamento, pesquisa, psicologia, problemas (por que não?) e, sim, PAIXÃO. Afinal de contas, eu sou partidário a corrente, se é que existe essa corrente, de que o propósito de uma marca é despertar a paixão das pessoas. Sim. Isso é muito mais do que “transformar passantes em entrantes, entrantes em consumidores eventuais, consumidores eventuais em clientes fiéis”, yadda, yadda, yadda.

    Uma marca, através das pessoas que a representam precisa despertar a paixão dos consumidores. É claro que, para isso é preciso primeiro despertar a paixão de seus funcionários. Demitir um funcionário do McDonald’s por ele comer um lanche que sobrou e será jogado fora não é uma boa estratégia de despertar a paixão desse cara e, no seu tempo livre é bem capaz de encontrarmos ele vagando pelo Burguer King.

    Mas, qual é a probabilidade de encontrarmos um funcionário da Starbucks tomando café por outras cafeterias afora? Acredito eu que muito pequeno. Dias atrás estava conversando com uma amiga falando justamente sobre isso. De que adianta o funcionário vestir o uniforme de pano se ele não veste o uniforme com a sua alma. E de que adianta a empresa dar um uniforme pro cara lhe representar se ela pode ser mandada embora na hora de consumir um produto que vai pro lixo? O papel que a empresa desempenha com funcionários precisa ser COERENTE com a maneira que ela diz tratar os clientes.

    Por coerente eu quero dizer fazer o que fala e não apenas dizer que faz.

    Ou seja, o papel que a marca trata o seu funcionário precisa ser igual ao que ela quer tratar seus clientes de fora. A marca precisa ter a paixão de seus funcionários, embaixadores e representantes pra que a coisa funcione com o público de fora. Você consegue imaginar um funcionário da Apple não tendo um iPhone, ou um funcionário do Google usando o Yahoo! Como buscador, ou um funcionário da Coca-Cola bebendo Pepsi?

    Certamente a resposta é um sonoro NÃO!

    Então, fico pensando… por que diabos um funcionário da Volkswagen dirige um carro da GM ou da Ford?

    Essas marcas está fazendo errado o trabalho de despertar a paixão de seus funcionários. E, infelizmente, despertar a paixão dos funcionários é o primeiro passo pra despertar a paixão de clientes. É preferível gastar alguns milhões de dólares no Super Bowl do que despertar paixão das pessoas que se relacionam com a sua marca, não é mesmo?

    E é justamente nessa armadilha que 99% das empresas caem. Elas esquecem do P da Paixão, que é muito importante e deveria vir na frente de todos os outros pês. Se esquecem que pessoas vendem melhor aquilo que gostam, que consomem, que são clientes, e que você precisa primeiro evangelizar seus clientes de dentro de casa para apenas depois sair evangelizando o pessoal de fora.

    O fato do funcionário do McDonald’s preferir lanchar no Burguer King é um fato que me faz querer não lanchar no McDonald’s. Na minha cabeça, se o cara que trabalha lá e conhece o produto dos caras melhor do que qualquer consumidor prefere a concorrência, por que eu vou preferir o sanduíche deles?

    A única verdade incontestável do marketing é que “você só vai conseguir a atenção e paixão de clientes depois que tiver a atenção e paixão da galera que representa a sua marca junto a eles”. Uma coisa leva a outra. E pra isso, você precisa contratar pessoas tão empolgadas com a sua empresa quanto você. Essa é a primeira regra de ouro do marketing: encontre pessoas para promover a sua marca que gostem dela tanto ou mais do que você. Atraindo pessoas parecidas com a ideologia da sua marca fica mais fácil espalhar para os consumidores a filosofia e cultura dela.

    Quando tudo ao redor da sua marca converge em prol do sentimento de paixão e você tem pessoas apaixonadas pelo que você faz ao seu redor, aí sim o restante do mix de marketing surte efeito. Caso contrário, estamos falando em um grande desperdício de tempo, pessoas e dinheiro.

    Nunca é tarde para repensar o marketing e a cultura organizacional de sua marca. Até por que, antes tarde do que nunca!

    Acorda! Tá na hora de mudar os rumos do marketing…

    Enrico Cardoso – Blogueiro e escritor. Empreendedor apaixonado por temas como Inovação, Marketing & Vendas. Contestador das regras gerais, sempre está disposto a desafiar o senso comum e provar que inovar é possível em qualquer situação.
    Twitter: @thinkoutsidebr

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