• O rei do camarote

    Um assunto que está dando o que falar e virou um meme nas redes sociais é a recente publicação da Veja SP intitulada “Os 10 mandamentos do Rei do Camarote“. A matéria apresenta alguns hábitos concernentes à vida noturna do (suposto) empresário bem sucedido Alexander de Almeida, 39, que possui excentricidades que combinam com um estilo playboy de curtir a vida, com demonstração de ostentação com marcas de grifes (roupas, automóveis e bebidas) e altos valores  financeiros gastos em uma só noite (50 mil Reais). O fato, por si só, não acrescenta nada de novo em nosso cotidiano provinciano, que possui vários outros exemplos similares ao novo “rei do camarote”.

    Então, o que a reportagem apresenta de novo? Talvez o conteúdo, ou a descarada falta dele. No vídeo, o rapaz se porta irritantemente de maneira ingênua, com um discurso vazio, uso de frases manjadas e jargões prá lá de piegas, além de dolorosos erros gramaticais que não estão à altura de um empreendedor de destaque. Esses fatos, por ora, suscitam a imaginação de que a reportagem ou a história seja uma grande farsa, ou não.

    Dentre as possibilidades hipotéticas, caso não seja verídica a narrativa, podemos considerar a trama como um teaser de alguma campanha publicitária relacionada à algum produto destinado aos jovens, de repente até mesmo de alguma marca “stats” (SIC) ou de alguma “bebida que pisca”. Ainda, nossa imaginação pode enveredar para o meio televisivo, e associar o vídeo com alguma promoção de programa humorístico, ao causar Pânico nas redes sociais (vocês entenderam o trocadilho barato, não preciso explicar).

    Também, destaca-se o fato da matéria já servir como incentivo criativo para várias marcas, que estão pegando carona em alguns jargões (“o camarote é uma questão de status”; “as pessoas acabam tendo um pouco de inveja”; “outra coisa importante é ter pessoas da mídia; “isso agrega tudo, agrega ao seu camarote, à sua bebida” ) para campanhas rápidas nas redes sociais. Veja aqui.

    Ainda, o desenrolar dos fatos (publicação da reportagem => ostentação => polêmicas nas redes sociais => debates filosóficos sobre preconceito, e riqueza x pobreza=> entrevistado chateado => final feliz ) em muito se assemelha (fonte) com um mesmo episódio acontecido em Portugal, envolvendo o jovem brasileiro Lorenzo Carvalho (piloto da Ferrari na GT3) que também possui um estilo de vida de acordo com as condições financeiras de sua família, fruto da atividade empresarial lícita e meritória, diga-se de passagem.

    Após a repercussão do vídeo de seu aniversário, Lorenzo foi entrevistado por algumas emissoras portuguesas e, apesar de alguns momentos nada excepcionais, na maioria delas, teve um desempenho satisfatório com respostas relativamente coerentes para um jovem de sua idade.

    Voltando ao Alexander de Almeida, deixo algumas perguntas para que possamos pensar sobre coisas mais profundas e que estão além da reportagem pura e simples, e da notória falta de conteúdo apresentada pelo “Rei do Camarote”, nos seus 3′,50” de exposição:

    O que, verdadeiramente,  o dinheiro pode comprar?

    O que é a futilidade?

    Qual o sentido da vida?

    Existe um parâmetro de valor que distingue o que é e o que não é ostentação? Por exemplo, quando você posta uma foto sua na balada, em sua página no Facebook, também não é uma forma de ostentação?

    Porquê partidos políticos e até mesmo religiões manipulam a sociedade com raciocínio acerca de que o acúmulo de riqueza é algo ruim?

    E, para encerrar este post, porém sem encerrar o debate, reproduzo uma frase da jornalista Rosana Hermann, “Ninguém fica indignado com corrupção de BILHÕES, com o roubo do dinheiro público. Todo mundo fica indignado e revoltado com quem gasta dinheiro próprio, esbanja.”

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    Comentários


    1. Na minha humilde opinião isso foi uma campanha de marketing do Pânico + Lorenzo, esse rapaz está buscando algo com isso, e poucas pessoas percebem.

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