• Desconectar para conectar


    Uma das características que norteiam o ser humano atual é a alta conectividade com gadgets e tecnologias de informação e comunicação que, paradoxalmente, ao mesmo instante que proporcionam a aproximação entre indivíduos distantes fisicamente, podem distanciar os que estão mais próximos devido a imersão em tarefas antes inexistentes.

    “a informática está mudando radicalmente nosso modo de viver e, talvez, de pensar” (CHESNEAUX, 1995, p.109).

    Interessante observar como as redes sociais convergentes através dos recursos de tecnologia com o propósito de agregar e intensificar relacionamentos justamente conduzem comportamentos individualizados onde cada ser humano fica imerso em seu próprio hardware/gadget, sem perceber o mundo real ao ser redor. Há um risco associado a esse comportamento através da criação de multidões egocêntricas. Tal comportamento pode estar relacionado ao TER, ato de possuir e apropriar-se dos objetos como fonte de reforço da personalidade, como se fosse o único recurso norteador da vida e símbolo de poder, acima do desenvolvimento intelectual e moral. Vejamos o comportamento dos consumidores em relação ao produtos Apple. A medida que os produtos e tecnologia estabelecem novas formas de escrita e oralidade (um exemplo é a internet e a sucessão de novas abreviaturas e gírias – internetês) está instalado o princípio de um novo mecanismo de condicionamento dominante. Embalados pelos recursos e experiências de uso, os consumidores são conduzidos a um comportamento de exagero, a ponto de causar situações dignas de fanatismo exacerbado, por conta de produtos que, em teoria, são passageiros conforme entendimento derivado do “Ciclo de Vida de Produto” (Kotler, 1995).

    “Toda tecnologia jamais é apenas um instrumento de uso, mas, também e principalmente, um instrumento que usa e condiciona os seus usuários” (BELLEI, 2002, p. 14).

    Em alguns momentos, faz-se necessário uma reflexão e aprofundamento filosófico sobre o eu e nossa relação como mundo. “Vamos desconectar do mundo e nos conectar com o próximo”.

    Espalhe por ai:
  • Um olhar sobre o comportamento do Reveillon

    Reveillon na praia de Copacabana, Rio de Janeiro

    Um dos comportamentos mais repetidos por multidões em todo o mundo ocidental é a comemoração do ano novo. A festa de “Reveillon” é prática antiga e remonta a Roma no ano de 46 a.C quando o então imperador Júlio César decretou o dia 1º de janeiro (a palavra Janeiro e o respetivo mês são uma homenagem a Jano – Deus dos Portões – conforme a crença politeísta dos romanos) como o primeiro dia do calendário anual.   Já a palavra “Reveillon” possui como origem a palavra francesa ‘Réveiller’, que significa despertar, ou ainda,  jantar bem tarde.

    À tradicional festa, hoje entendida amplamente como uma passagem, soma-se uma série de outros comportamentos que perpetuam como hábito e tradição em nossa cultura, tais como: reunir familiares e amigos; comemorar a chegada do novo ano com ceia; estourar champagne; usar roupas brancas e de outras cores com significados específicos; desejar saúde e paz; queima de fogos; trocar lembrancinhas; desfazer-se de coisas velhas; viajar; realizar simpatias e superstições; fazer orações e etc.

    Além disso, no nosso país o dia 1º de janeiro é uma data oficial, decretada como feriado nacional (Confraternização Universal – Lei nº 662 de 06/04/1949) e é o dia destinado a celebração da fraternidade universal e ato de congraçamento entre os cidadãos.

    Todo acontecimento que passa a fazer parte de um hábito, torna-se tradição, repetida a partir da imitação do comportamento do outro como parte do comportamento das pessoas em sociedade. A crença, na maioria das vezes, está amparada na necessidade que os indivíduos possuem de um apoio externo que os auxiliem ou justifiquem as próprias aspirações relacionadas com a vida, como a busca da felicidade. O “no que acreditamos” é a base – na maioria das vezes irracional – que sustenta os hábitos do comportamento direcionados ao ano novo. Alguns autores acreditam que as crenças tem origem na fragilidade do homem diante da natureza e da própria vida (desconhecido), por isso que as religiões também exercem influência sobre as festividades do Reveillon.

    Referências: Guia dos Curiosos /  Wikipédia

    Espalhe por ai:
  • A lata branca da Coca-Cola

    Imagem daqui: http://oblogdastorm.wordpress.com

    E a famigerada lata branca da Coca-Cola continua dando o que falar. Planejada para fazer parte de uma promoção que une consciência ambiental sobre o risco de extinção dos ursos polares e ajuda financeira para a organização World Wide Fund – WWF (a própria The Coca-Cola Company fez um donativo inicial de USD 2 milhões), a embalagem branca aparentemente não caiu no gosto dos consumidores conforme informações em sites (1, 2, 3). Apesar da companhia não propagar informações oficiais sobre o caso, fato é que as embalagens estão sendo trocadas por versões na cor clássica – vermelha – e, ao que tudo indica, a percepção negativa com a mudança de cor falou mais alto. Toda prática que implica na mudança de elementos semióticos (estímulos) de identificação da marca/produto com a cognição inicial possui risco de rejeição (a própria Coca-Cola já vivenciou episódios negativos quando lançou a New Coke em 1985) que são estudados pelas ciências da comunicação nos modelos semiótico – O modelo semiótico de comunicação é aquele em que a ênfase é colocada na criação dos significados e na formação das mensagens a transmitir. Do ponto de vista prático, além da rejeição à nova embalagem, houveram relatos de confusão com o produto Diet da mesma empresa.  A marca Coca-Cola e todos os aspectos que a cercam estabeleceram ao longo do tempo uma simbiose com o país de origem, fazendo dos consumidores coadjuvantes na história do produto e é essa relação que se quebra quando elementos típicos são alterados. Em casos como esse, é possível ser utilizado displays específicos com muita comunicação no ponto de venda para que a confusão não ocorra e seja imediatamente sanada, ressaltando o caráter da promoção ambiental em conjunto com a WWF.

    Espalhe por ai:
  • Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis

    Sob a responsabilidade da pasta do Ministério do Meio Ambiente, o Governo Federal divulgou o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS) em sua versão final. O documento, que ficou disponível para consulta pública desde 2010, apresenta uma série de ações que fomentam a mudança de padrão no que diz respeito a produção e consumo, envolvendo:

    • aumento da reciclagem;
    • educação para o consumo sustentável;
    • agenda ambiental na administração pública;
    • compras públicas sustentáveis;
    • construções sustentáveis;
    • varejo e consumo sustentáveis.

    O Plano, que vem sendo debatido desde 2007 (conforme imagem abaixo, extraída do Ministério do Meio Ambiente), apresenta uma série de objetivos e propostas de sinergias com áreas diversas para tornar a economia brasileira mais sustentável e com baixo carbono.

    O próprio Plano elenca 17 prioridades para planejamento e execução do mesmo, em um período de três ano, descritas abaixo:

    1.Varejo e consumo sustentáveis – Discutir a percepção do setor varejista a respeito da inserção de práticas de sustentabilidade nas suas operações e o seu papel na promoção do consumo sustentável por meio de ações condizentes com as premissas e objetivos do PPCS;

    2. Agenda Ambiental na Administração Pública/A3P – Consolidar a A3P como marco referencial de responsabilidade socioambiental no governo;

    3. Educação para o consumo sustentável – Conceber e por em prática instrumentos como pesquisas, estudos de caso, guias e manuais, campanhas e outros, para sensibilizar e mobilizar o indivíduo/consumidor, visando a mudanças de comportamento por parte da população em geral;
    4. Aumento da reciclagem de resíduos sólidos – Incentivar a reciclagem no País, tanto por parte do consumidor como por parte do setor produtivo, promovendo ações compatíveis com os princípios da responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos e da logística reversa, tal como se acha estabelecido na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS); neste quesito cabe também incentivar a indústria da reciclagem com inclusão social (inserção dos catadores);

    5. Compras públicas sustentáveis – Impulsionar a adoção das compras públicas sustentáveis no âmbito da administração pública, nas três esferas de governo, incentivando setores industriais e empresas a ampliarem seu portfólio de produtos e serviços sustentáveis, induzindo com essa dinâmica a ampliação de atividades reconhecidas como “economia verde” (green economy) ou de baixo carbono;

    6. Promoção de iniciativas de PCS em construção sustentável – Induzir o setor da construção civil – e o de infra-estrutura como estrada, portos e outros – a adotar práticas que melhorem a perfomance socioambiental desde o projeto até a construção efetiva, passando por criteriosa seleção de matériais e alternativas menos impactantes ao ambiente e à saúde humana;

    7. Integração de políticas em PCS – Integrar o PPCS às demais políticas de produção e consumo na área de desenvolvimento econômico, e atuar em cooperação internacional com o Plano de PCS do MERCOSUL e com o Processo de Marrakech;

    8. Fortalecimento de uma articulação nacional em PCS – Organizar iniciativas, para otimizar recursos e esforços, no sentido de promover e implementar ações articuladas de PCS em âmbito nacional;

    9. Inovação e difusão de tecnologias em PCS – Promover a gestão do conhecimento em produção e consumo sustentáveis, com ações que visem desenvolver design inovador de serviços e soluções que considerem as variáveis da ecoeficiência e outros cenários, como a nanotecnologia ou “desmaterialização” da economia – como diferencial competitivo e estratégico para as empresas brasileiras;

    10. Desenvolvimento de indicadores em PCS – Gerar informações que subsidiem o desenvolvimento de políticas públicas focadas em produção e consumo sustentáveis, mobilizando instituições produtoras de informação como o IBGE e o IPEA (âmbito governamental) e centros de excelência das universidades federais e estaduais, públicas e privadas;

    11. Divulgação e capacitação em PCS – Divulgar conceitos, disseminar conhecimentos e informações relevantes ligados ao tema PCS, junto ao setor produtivo, governos e sociedade civil;

    12. Agricultura e pecuária sustentáveis – Estimular a proteção da biodiversidade e a redução do desmatamento/emissão de gases de efeito estufa (GEE), por meio da expansão de possibilidades que valorizem a floresta em pé; e incentivar a adoção de práticas agrícolas e pecuárias visando a redução dos impactos ambientais e o desmatamento;

    13. Fomento a produção e consumo sustentáveis – Promover iniciativas que levem os gastos públicos e o sistema bancário a se comprometerem cada vez mais a considerar na oferta de crédito e financiamento, bem como na compra de produtos e serviços, os critérios de sustentabilidade, contribuindo desta forma para induzir a correção, a mitigação, e também um crescente mercado de negócios sustentáveis;

    14. Diminuição do impacto social e ambiental na geração e uso de energia – Incentivar a adoção de práticas economizadoras de energia pelos consumidores (pessoa físicas e jurídicas), promovendo meios para escolhas mais eficientes; e promover o aprimoramento e a aplicação de tecnologias para a geração e aproveitamento de energia renovável;

    15. Rotulagem e análise do ciclo de vida – Consolidar a rotulagem ambiental como instrumento de desenvolvimento de novos padrões de consumo e produção sustentáveis mediante a mobilização das forças de mercado; aumentar o número de especialistas brasileiros em rotulagem ambiental; aumentar o número de produtos com análise de ciclo de vida (ACV), de forma que não seja apenas um rótulo midiático, mas orientador do consumo responsável;

    16. Rotulagem para expansão sustentável do uso de biocombustíveis – Garantir que a expansão na produção e uso de biocombustíveis seja feita de modo econômica, social e ambientalmente sustentável, provendo aos consumidores condições para escolha adequada dos mesmos;

    17. Estímulo à criação e expansão de negócios/mercados com inclusão social e menor impacto ambiental – Disseminar o conceito “mercados/negócios inclusivos” – novos modelos e práticas corporativas que promovam a inclusão social; criar e disseminar produtos e processos inovadores acessíveis a populações carentes; fornecer à população necessitada acesso a renda por meio de negócio, oportunidades, emprego, bens de consumo e serviços de forma a possibilitar uma melhoria na qualidade de vida; estimular o setor produtivo à inclusão social (gerando produtos, empregando e incluindo em sua cadeia produtiva) contribuindo para o desenvolvimento social de populações carentes e incentivar o consumo de produtos que promovam inclusão social.

    O Plano ainda prevê aumento do número de reciclagens de diversos materiais, realização de várias campanhas de conscientização, implantação de pagamento por serviços ambientais em cidades de acordo com o ganho em qualidade ambiental, apoiar cooperativas de reciclagens, intensificar o consumo sustentável de madeira, aumento das certificações de construções sustentáveis, dentre outros.

    Com é possível perceber, a válida iniciativa do Governo Federal, em conjunto com vários membros do Comitê Gestor do Plano, precisa do apoio de toda sociedade e envolve profissionais das mais diversas áreas do conhecimento, de forma que as metas tragam resultados positivos para todos, envolvidos na cadeia de valor do varejo.

    Espalhe por ai:
  • A privacidade nas redes sociais

    Imagem: veja.abril.com.br

    Não é de hoje que a discussão sobre a privacidade na internet inflama especialistas e entusiastas do assunto. A matéria em questão, que envolve comportamento humano, tecnologia, direito civil e comunicação, ficou mais pertinente com o aumento substancial das ferramentas digitais de relacionamento na internet, as redes sociais.

    Posto que o dilema a ser respondido é: quem entra em uma rede social abre mão do preceito da privacidade? Muitos defendem a ideia de que, a partir do momento que o indivíduo cria um perfil social, está suscetível a exposição de fatos cotidianos e de seu comportamento e, assim, diminui consideravelmente seu caráter privativo. Antes de mais nada, é necessário compreender a definição e extensão do significado da palavra privativo/privacidade. Privacidade “é a habilidade de uma pessoa em controlar a exposição e a disponibilidade de informações acerca de si” (Fonte: Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Privacidade).  Ainda, ”O direito à privacidade, concebido como uma tríade de direitos – direito de não ser monitorado, direito de não ser registrado e direito de não ser reconhecido (direito de não ter registros pessoais publicados) – transcende, pois, nas sociedades informacionais, os limites de mero direito de interesse privado para se tornar um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito” (VIANNA, Túlio. Transparência pública, opacidade privada. p. 116. 2007). Pois bem, como caracterizar o limite da privacidade em sites como o Facebook? Uma função disponível no serviço criado por Mark Zuckerberg é a marcação, ou seja, um usuário pode “marcar” e “linkar”/vincular um outro participante a qualquer fotografia ou imagem postada por si,  Ora, mas essa função não fere justamente a ideia de privacidade, conforme exposto acima? A Constituição Federal (1998) e também o Código Civil (Lei 10.406/02) assegura aos cidadãos os chamados “Direitos Pessoais”. Afirma o art. 5, X, da Constituição, que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.

    Ainda, mais recentemente, a mesma rede de relacionamentos disponibilizou uma nova função chamada de ‘Ticker’. Tal recurso fica acessível em uma barra lateral a direita e, com ele, todo participante da rede tem acesso, em tempo real,  as atividades dos seus amigos. Mais uma vez, não fica o direito assegurado por Lei, violado?

    Função Ticker no Facebook

    Por outro lado, o comportamento humano manifesta-se por desejos, instintos, psiquê, evolução biológica e a partir das influências do ambiente que cerca o indivíduo e de seu conhecimento. Ou, coloquialmente, em corpo e mente. Já LOCKE (280-286) atribuiu o pensamento e comportamento humano ás suas habilidades sensoriais. Já, para HUME, David (287-301), “o homem é composto por impressões e ideias”. No século XX, Skinner definiu o que ficou entendido como “Behaviorismo Radical” (1940), ao refutar alguns conceitos do behaviorismo filosófico (Watson) e estudar o conceito do ” Reflexo Condicionado” de Pavlov. Para Skinner, o homem é um ser único, indivisível entre corpo e mente e que se manifesta a partir do princípio do estímulo-estímulo, ou seja, reage conforme o ambiente. Para Freud, em resumo, as respostas estão na relação entre consciente e inconsciente e relação das fases criança-adulto, em um indivíduo. “O comportamento é definido como o conjunto de reações de um sistema dinâmico em face às interações e realimentações propiciadas pelo meio onde está inserido” (Fonte: Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Comportamento). Um dos comportamentos sociais humanos é a exposição social, desejo de ser visto e rev(f)erenciado.

    Assim, podemos afirmar que o sucesso das chamadas redes sociais está justamente alicerçada no comportamento social. Nesse contexto, o homem utiliza a percepção que possui dos outros e a percepção que os outros têm dele mesmo para a construção de seu próprio padrão, reforçado intrinsicamente pela natureza curiosa. Também, conforme termo criado por Debord, Guy (1967), vivemos em uma “sociedade do espetáculo”. “…Debord explica que o espetáculo é uma forma de sociedade em que a vida real é pobre e fragmentária, e os indivíduos são obrigados a contemplar e a consumir passivamente as imagens de tudo o que lhes falta em sua existência real.” Fonte: Disponível em http://pt.scribd.com/doc/16664247/Guy-Debord-A-sociedade-do-Espetaculo.

    Por conseguinte, a reflexão reitera a menção clara de um dilema. Sobram argumentos condizentes com a perversidade causada pela violação da privacidade e suas implicações legais, e sobre a base comportamental que propaga o crescimento das redes sociais, facilitadas pela internet. Soma-se a esses fatores o crescimento exponencial e alta frequência de acesso a sites como facebook, que escancaram outro tema, porém tampouco menos importante: a compulsão pela informação.

    Mas e você, o que pensa a respeito? Deixe um comentário com sua opinião sobre a privacidade e o facebook.

    Espalhe por ai:


Página 2 de 18123...Última »
Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes