• Do alto tudo é melhor

    Sem querer posar de “mimimi” barato, endosso o pensamento daqueles que, após ler a chamada da capa da revista Veja dessa semana, sentiram-se incomodados com o suposto estudo apresentado. Do “alto” dos meus 1,75 m – estatura média dos brasileiros segundo a própria revista, em edição de 2003 – estranho a publicação onde a chamada cita uma “evolução tecnofísica” (entre aspas) para reforçar o conteúdo proposto: “pessoas altas são mais saudáveis e tendem a ser mais bem-sucedidas”. Ora, imagino a partir disso que todos os indivíduos com conhecido alto-nível de inteligência e relevância para a sociedade são ou deveriam possuir estaturas físicas colossais. Pessoas como Chaplin, Beethoven, Einstein, Santos Dumont, Alexander Fleming, Peter Drucker e outros nas mais variadas áreas do conhecimento foram, por suposto, exceções á regra imposta pela publicação no periódico semanal.

    Tal “teoria”, assustadora do ponto de vista genético pois, para resolver o problema da humanidade e da economia dos países bastaria “produzirmos” seres humanos com altura elevada, também evoca a minimização dos conceitos já compreendidos como o conjunto de competências gerenciais, a saber: conhecimento, habilidade e atitudes. Para Hamel e Prahalad (1995), “competência é a integração e a coordenação de um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que na sua manifestação produzem uma atuação diferenciada“.  Já para Fleury (2000) “o conceito de competência é pensado como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (isto é,  conjunto de capacidades humanas) que justificam um alto desempenho, acreditando-se que os melhores desempenhos estão fundamentados na inteligência e personalidade das pessoas“.  Ao pensar sobre o trecho ” … estão fundamentados na inteligência e personalidade das pessoas” podemos concluir que tal fato está mais associado com a capacidade de aprendizado e realização de tarefas com assertividade, em detrimento de apenas características  físicas corporais. Nota-se, ainda, que o entendimento que a maioria das pessoas fazem de “sucesso” está condicionado a um estilo de vida capitalista e modelado pelas teorias Tayloristas e fordistas de organização do trabalho, ou seja, totalmente influenciado pelo ambiente que vivemos momentaneamente.  Ainda, segundo a mesma autora, “a competência individual encontra seus limites, mas não sua negação no nível dos saberes alcançados pela sociedade, ou pela profissão do indivíduo, numa época determinada. As competências são sempre contextualizadas“. 

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  • Que tal investir em marketing sem botar a mão no bolso? (Parte 3/3)

    Os vilões das leis de incentivos. A boa notícia é que estes vilões podem se transformar em mocinhos. É só ter boa vontade política.

    Como tudo que é bom dura pouco, este artigo chegou ao fim. E chegou ao fim para (tentar) responder à pergunta de um milhão de reais: “por que a lei de incentivo à cultura e ao esporte é tão pouco utilizada se é tão boa?”. A culpa não é da lei. É do homem. A boa notícia é que não tem um, mas 3 vilões! Ou seja, responsabilidade para todo mundo da cadeia produtiva… E a má notícia é que não fazemos nada para mudar. A não ser que você, ADMINISTRADOR DE MARKETING, reavalie como paga os tributos de sua organização e aproveite a oportunidade que a lei lhe oferece para fazer comunicação de qualidade com custo zerado ou muito próximo disso.
    Antes de começar sua leitura, uma pergunta: você já leu as primeira e segunda partes deste artigo? Não, então visite lá:
    1ª parte: http://www.elciofernando.com.br/blog/2012/02/leis_de_incentivo_i-que-tal-investir-em-marketing-sem-botar-a-mao-no-bolso/
    2ª parte: http://www.elciofernando.com.br/blog/2012/03/que-tal-investir-em-marketing-sem-botar-a-mao-no-bolso-parte-23/

    Voltando então ao que interessa: no final deste texto darei sugestões para que cada parte envolvida repense sua posição e busque novos caminhos para, de um lado, fomentar a cultura e esporte no nosso país, gerando empregos diretos e indiretos, e, de outro, estimular empresas a usarem os benefícios fiscais a que têm direito em prol de sua comunicação corporativa.

    O primeiro culpado é o Estado Nacional e o Governo. O Estado, como expressão de sua sociedade, não compreende a importância da cultura, educação, arte, esporte para o desenvolvimento social. Em países mais desenvolvidos, a arte é financiada – de verdade – pelo Estado, porque este entende que aquela passa por sazonalidades em consequência de ciclos de criação ou produtividade (nenhum artista, por exemplo, é capaz de criar 100% do tempo; nenhum esportista consegue competir 100% dos dias. Mas ambos precisam suprir suas necessidades básicas nos 365 dias do ano!). Este Estado Nacional, infelizmente, é o maior culpado. Infelizmente, porque ele é reflexo de seu povo. Já o Governo, entram e saem partidos do poder, não é capaz de criar políticas culturais e de esporte de LONGO PRAZO. Criam, ao contrário, entraves. A Lei Rouanet, a mais utilizada no país, por exemplo, é um emaranhado de regras que nos fazem ter certeza de que quem as cria são pessoas que odeiam a arte! Não bastassem os meandros jurídicas que qualquer procedimento fiscal exige, há uma morosidade cruel no âmbito administrativo (Ministério da Cultura) para aprovação de um projeto – o que deveria ser aprovado num rito sumário, leva (não raro) ano inteiro. Quando não chega ao plural este substantivo…: eu mesmo já tive 1 projeto que demorou 3 anos para ser aprovado porque a Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura – inacreditavelmente – perdia os documentos que (eu) havia mandado séculos atrás. Em tempo: esta secretaria e demais braços do Ministério têm gestores fantásticos, muitas vezes imobilizados pela burocracia weberiana.

    Enquanto o Estado não reavaliar sua posição frente ao futuro do país, vinculando parte considerável do nosso poderoso PIB à cultura, à educação e ao esporte, não serão as leis de incentivo a estes segmentos que darão engrenagens ao desenvolvimento social. E ao Governo compete desburocratizar o trâmite, derrubar regras absurdas (como, por exemplo, tirar de um orçamento, submetido à sua apreciação do Minc, a locação de equipamento de luz de um espetáculo teatral, argumentando que a infraestrutura do teatro deve oferecer estes equipamentos! Somente um marciano não sabe que 95% dos teatros brasileiros NÃO têm equipamento de luz próprio, cabendo à produção esta infraestrutura, até porque cada montagem tem um desenho de iluminação diferente da outra! Isso também aconteceu comigo em outro projeto.). Não basta dinheiro, são necessários programas de fomento, ensinar o povo a comprar cultura, consumir arte. O produtor sente que o sistema está contra ele: parece que todos fazem tudo para limar qualquer possibilidade de sucesso na captação de recursos.

    (mais…)

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  • Economia de escala e o “Custo Brasil”

    Imagem: ojornalweb.com

    Um dos objetivos iniciais de qualquer indústria é o crescimento produtivo, em escala. A economia de escala postula qu, ao organizar o processo produtivo, o custo unitário diminui a medida que se aumenta a quantidade produzida. Esse conceito, amplamente difundido , só esbarra em entraves quando outros fatores não viabilizem a maximização dos lucros. Como exemplos, em nosso país, temos o chamado CUSTO BRASIL. O CB é uma sucessão de dificuldades que acarretam no aumento do custeio e viabilidade de um negócio, quando comparado a outros países. Alíquota de impostos em cascata, infra-estrutura sucateada e burocracia em excesso são bons exemplos de situações que desestimulam a economia de escala, em alguns casos.

    Abrir uma empresa é mais demorado e mais caro, no Brasil, do que em vários outros países (matéria1; matéria2), conforme dados apresentados pela Firjan (2010).

    Fonte: Estudos para o Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro. 2000, p. 12. Firjan (2010). Disponível em http://www.firjan.org.br

    Desta forma, torna-se fato que algumas decisões sobre novos investimentos objetivem vizinho que oferecem condições mais inócuas no que diz respeito ao custeio. E, a “bola da vez” é o Paraguai. A partir dos incentivos concedidos na ‘ LEI DE MAQUILLA’  – veja tabela abaixo, alguns módulos produtivos migraram para o país próximo, afim de competirem com os baixos custos de manufatoras sediadas em outras regiões do globo, como China.


    TRIBUTOS DA INDÚSTRIA NO BRASIL * TRIBUTOS DA INDÚSTRIA  PARAGUAI (LEI DE MAQUILLA)
    ICMS Média 17% Não tem
    IPI Média de 10% Não tem
    PIS 1,65% Não tem
    COFINS 7,60% Não tem
    Imposto único Não tem 1% sobre o valor agregado ao produto no Paraguai
    Fonte:Advogados tributaristas Guilherme Roman, da Gasparino Advogados e André Mendes Moreira, do Sacha Calmon-Misabel Derzi Consultores & Advogados
    *Allíquotas variam de setor para setor.
    *Vale ressaltar que esses impostos admitem o desconto de créditos pela indústria por serem não cumulativos.
    Acesso em 08/11/2011: http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2011/11/brasileiros-viram-made-paraguai-em-busca-de-competitividade.html


    TRIBUTOS DA INDÚSTRIA NO BRASIL * TRIBUTOS DA INDÚSTRIA  PARAGUAI (LEI DE MAQUILLA)
    ICMS Média 17% Não tem
    IPI Média de 10% Não tem
    PIS 1,65% Não tem
    COFINS 7,60% Não tem
    Imposto único Não tem 1% sobre o valor agregado ao produto no Paraguai

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  • A gestão pública

    O ato de gerir o patrimônio público deve envolver todo o planejamento, implementação e controle direcionado para a melhor utilização dos recursos disponíveis, afim de melhorar a produtividade estatal e proporcionar o bem estar da coletividade. Aos profissionais, envolvidos com tal atividade, espera-se conhecimentos concretos sobre administração financeira, direito administrativo, sistemas políticos, macro e micro economia e habilidades administrativas e estratégicas em geral. Além disso, estima-se que o atuante tenha bom relacionamento interpessoal, visão conceitual (capacidade de análise em 360 graus), capacidade de definir prioridades, formação compatível com a atividade técnica específica e princípios éticos.

    Atualmente assistimos a grande quantidade de denúncias provenientes de supostos esquemas para desvios de dinheiro público em benefício pessoal/partidário. Assim como na iniciativa privada, os mecanismos de controle que previnem e inibem processos fraudulentos, devem ser intensificados e implementados e por suposto monitorados pela sociedade.  Entretanto, possuímos como cultura política a nomeação de alguns gestores alinhavados apenas com interesses partidários e assim, o planejamento organizacional fica refém do ‘entreguismo’ proveniente das ajudas entre as siglas, nas esferas Municipais, Estaduais e Federal. Este viés inviabiliza a ação de uma gestão pública mediada por profissionais isentos das agruras instaladas nos meandros dos conchavos da pseudo-politização de nossos poderes públicos e possibilita uma fácil destinação incorreta dos recursos financeiros.

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  • A centralização das decisões administrativas

    A centralização ou não das decisões é uma característica da estrutura organizacional e de comando decisório das empresas. Quanto mais as decisões estão focadas somente no topo da pirâmide hierárquica, mais as empresas são centralizadas e, quão mais estão dispersas nos níveis hierárquicos, mais a empresa possui  característica da descentralização. Normalmente as empresas tendem a adotar a centralização como maximizar os mecanismos de controle. Algumas associam a manutenção do controle á redução de custos e outras também mantém este processo administrativo devido a insegurança em delegar autonomia aos colaboradores. Evidente que há funções que, por conta das responsabilidades e riscos envolvidos, requer maior cuidado nas tomadas de decisões e assim, consequentemente, maior centralização.

    O ato de descentralizar pode ser feito de maneira gradual e até compatível com recursos empregados por áreas/funções. Em empresas de porte médio e grande, as decisões gerenciais são atribuídas aos gerentes de departamento, o que subentende a descentralização por parte do níveis hierárquicos mais altos para níveis médios e assim sequencialmente conforme a cadeia de comando da organização.

    Uma grande desvantagem da administração centralizada é a falta de agilidade em processos decisórios, que acarreta procedimentos morosos e diminuição da competitividade em operações de negócios que são pautados pelo tempo e pela oportunidade momentânea. Desta forma, ao planejar um negócio, é importante (assim como diversos outros fatores) viabilizar um conjunto de procedimentos e relações de autoridade e decisão que priviligie o melhor desempenho por departamento, sem perder os mecanismos mínimos de garantia e controle e que traga eficácia aos sistemas.




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