Não há dúvidas que o mercado de trabalho recebe influências múltiplas da economia, tecnologia, política, sociologia, e de diversas necessidades e ciências. Estas e outras áreas formam as bases para as tendências no cotidiano das sociedades e das organizações. Atualmente, a influência proporcionada pela internet em nossos relacionamentos já impacta nas empresas mais atentas e delibera novos rumos no mercado de trabalho. A atuação em redes sociais e consequente utilização das ferramentas disponíveis nas mídias sociais exigem profissionais com conhecimento em comportamento humano e de recursos midiáticos.
Fonte: Você S/A. Clique na imagem para melhor visualização.
Será que já possuímos, em qualquer momento, acesso fácil a todas as informações necessárias para boas decisões? Para Pattie Maes, do MIT, a resposta para essa pergunta-problema é “não”. Assista o vídeo abaixo com palestra e demonstração do que Maes e sua equipe estão desenvolvendo, já em período de testes. É sensacional!
Definitivamente aos poucos estamos migrando da “Era do Conhecimento” para a “Era da Experiência” ou “experimentação”. O futuro próximo projeta interação total entre os seres humanos e as máquinas com utilização de recursos biométricos e construtivismo.
Atualmente há grande facilidade na troca de informações entre os seres humanos devido ao aprimoramento de recursos tecnológicos. O bom uso das ferramentas de comunicação constitui-se em uma das premissas para a saudabilidade do relacionamento interpessoal. Toda relação entre as pessoas compreende um processo chamado de “processo da comunicação”(modelo de Shannon). O processo da comunicação se dá quando o emissor envia a mensagem ao receptor, através de um canal ou meio de comunicação. Ainda, segundo Davenport (2001) o conhecimento é fruto da informação criteriosa, estabelecida após reflexão, síntese e contexto. Soma-se a isso a adequação da linguagem ao meio utilizado e de acordo com o perfil do receptor, de modo a evitar entendimentos errôneos. Qualquer cidadão, ao comunicar-se, deve prever e estabelecer processos comunicativos respeitando estes conceitos e soma-se ainda desejo de maior responsabilidade e cuidado quando o emissor constitui-se de pessoa conhecida/pública, que forma opinião alheia ou representante de algo. Entretanto, muitos deslizes são cometidos na utilização da linguagem ou por falta de adequação às novas mídias (em particular as chamadas mídias sociais). As imagens abaixo demonstram alguns disparates proferidos através do veículo Twitter.
Só para relembrar, o conhecimento é fruto da informação criteriosa, estabelecida após reflexão, síntese e contexto. Davenport (2001).
A Cervejaria Devassa (leia-se Schin), proprietária da cerveja de mesmo nome, iniciou posicionamento neste carnaval baseado na sensação de prazer aliado à nomenclatura de marca. “Você tem idade para pegar uma devassa?” é a pergunta que precede a indicação de maioridade “dia/mês/ano” e permissão para entrar no site da cervejaria. A campanha é totalmente apoiada conceitualmente na definição da palavra “devassa”. Além disso, as intenções de impacto a curto prazo estão evidentes a partir da contratação da Paris Hilton como garota devassa propaganda. Pelo jeito a ideia é gerar muito buzz.
As redes sociais (sua rede de relacionamento na internet) e as mídias sociais (mídias onde o conteúdo é construído pelo internauta) formam a base para a chamada web 2.0. Este princípio construtivista tem revolucionado a comunicação entre os indivíduos através da rede mundial de computadores e ganhou maior relevância a partir de 2008.
Abaixo segue excelente documentário sobre as redes sociais.
O blog avemarketingconversou com Luli Radfaher que, gentilmente nos concedeu entrevista. Luli é Ph.D. em Comunicação Digital pela ECA-USP , onde também é docente. Trabalha com internet desde 1994, quando fundou a Hipermídia, uma das primeiras agências de comunicação digital do país, hoje parte do grupo Ogilvy. Saiu em 96 para fundar seu estúdio, onde atendeu AlmapBBDO, MTV, FIAT, Leo Burnett, VISA, Volkswagen e Camargo Corrêa. Em 99 foi para a StarMedia de Nova York assumir a Vice-Presidência de Conteúdo. De volta, criou a dpz.com, divisão digital da agência de propaganda DPZ. Em 2002 trabalhou em Londres, com projetos de TV Interativa e comunicação wireless. Voltou como consultor, tendo como clientes a AOL Brasil (redesenho e reestruturação do conteúdo) e o McDonald’s (projeto de conteúdo para o McInternet). Colunista da revista Webdesign, é autor dos livros “Design/web/design” e “Design/web/design:2″, considerados referência para a área, e “A Arte da Guerra Para Quem Mexeu No Queijo Do Pai Rico”, uma análise crítica e bem-humorada do ambiente corporativo.
Com uma articulação impecável, Luli esbanja conhecimento. Confira a entrevista imperdível!
avemarketing: Uma tradicional conceituação de informação afirma que “é tudo aquilo que destrói uma incerteza”. A internet é uma revolução comunicacional e de proliferação de informações. Hoje uma criança de 7 anos está mais exposta e possui uma quantidade de informações maior do que nós recebemos em 20 anos de vida. Luli, para onde isso tudo vai nos levar?
Acredito que não “leve” para lugar nenhum. Na verdade, a própria idéia de destruição de incertezas é um pouco equivocada. À medida que a informação se acumula, as incertezas tendem a aumentar. Certeza é, cada vez mais, efeito de ambiente restrito, como certas comunidades ideológicas ou regimes autoritários. Voltando ao ponto da pergunta, acredito que o resultado dessa sobrecarga de informação seja mais decepcionante do que parece. Como provam a vida besta dos milionários e a epidemia de obesidade nos Estados Unidos, o aumento de recursos não costuma resultar em uma melhoria da produção. Hoje que praticamente qualquer instituição ou pessoa pode manifestar suas opiniões e contribuir com conteúdo para a rede, o que se vê não é um aumento da inteligência das pessoas, mas a enorme popularização das bobagens do YouTube, como o vídeo do menino grogue ao sair do dentista, mais vistas do que qualquer palestra do TED.
Louis Armstrong cantava, em “What a wonderful world”, que as crianças aprenderiam mais do que ele jamais saberia. Em termos técnicos, ele estava correto. Os indivíduos hoje são melhor adaptados aos tamagotchis eletrônicos que nos cercam. Mas isso não significa que sejam mais sábio, muito pelo contrário. Acredito que o mundo daqui a 20 anos será bastante complexo em termos de interfaces, mais evoluído em um ou outro valor (sustentabilidade, alimentação, fumo) mas as pessoas continuarão a desperdiçar petabytes em pornografia, celebridades, fofocas e outras trivialidades. Não é necessariamente ruim, mas está longe de ser o paraíso que alguns imaginam.
avemarketing: De acordo com a pesquisa ConecteMídia, realizada pelo Ibope, “53% dos entrevistados se sentem pressionados com a quantidade de informações atuais”. Evidentemente há muito lixo na internet, como reprodução dos comportamentos da sociedade. Como gerenciar o trash, na internet?
Ansiedade de informação (e seu desdobramento, ansiedade de inovação) são típicas de uma época em que o conhecimento era mensurável, quantificável. Livros e jornais, por exemplo, dão a impressão que é possível saber “tudo” a respeito de determinado assunto – e que certos assuntos desagradáveis podem ser simplesmente evitados. Mas na verdade esses meios de comunicação são próteses, e todos sabemos que no contato com pessoas, nunca se saberá absolutamente “tudo” que o outro sabe – a idéia, aliás, não faz o menor sentido. Também aprendemos, em diálogos, a filtrar de uma conversa o que realmente queremos saber e o que vale a pena evidenciar. Os profissionais que todos têm como referência se atualizam, e sempre que se busca um novo esclarecimento o conhecimento é atualizado.
A melhor forma de lidar com o excesso de informação e o lixo da Internet não está em tentar melhorá-la, mas em desenvolver, em si, uma espécie de filtro para saber o que perguntar, quando a pergunta é relevante e quando já é o bastante. Acima de tudo, é fundamental verificar quem emite a resposta. A Internet é só uma grande compilação de informação produzida por humanos, e portanto sujeita a todos os seus desvios.
avemarketing: Como você vê a criatividade digital no Brasil, atualmente?
Cada vez melhor. Há muitos novos empreendedores e criativos pensando em uma forma mais abrangente, sistêmica. Até há pouco tempo atrás, a piada, o verso musical (ou a “sacadinha” publicitária) eram um fim em si mesmo. Hoje eles têm se transformado, a cada dia mais, em produtos, com mercados e oportunidades. Isso gera, naturalmente, uma criatividade mais madura e melhor pensada, o que é uma ótima notícia. Isso não significa que deixamos de ser gozadores ou irônicos, mas o compromisso – que até personas do Twitter e posts em blogs reforçam – com uma constância na produção de idéias constantes e coerentes gera um ambiente muito mais criativo. Isso é verdade para o mundo inteiro e o Brasil, mesmo atrasado em algumas tecnologias, sem o hábito de ler e com uma enorme diferença social, pode se beneficiar por ter um espírito naturalmente social, comunitário e anárquico.
avemarketing: A convergência midiática é uma tendência, certo? Quais outras tendências você pode citar?
Na verdade são quatro tendências, pois depende de onde você quer a convergência. As TVs nunca foram tão grandes e com sistemas de som tão envolvente. A sala de home theater é uma caverna digital que, em cada casa, promove a convergência. Os celulares, na rua, fazem o mesmo. Os dois são convergentes, cada um de um jeito. Outras duas convergências são o computador, sem dúvida o melhor lugar para se trabalhar (ninguém pensa em escrever longos textos no celular ou no sofá da sala) e os aparelhos dedicados de trabalho móvel, como medidores de códigos de barras, boletos de garçons e GPSs em carros, ainda mais rápidos e eficientes que qualquer celular. Nessa categoria ainda cabem as câmaras semi-profissionais e profissionais.
Outras tendências são o tracking e os alerts, com o tempo real a substituir boa parte das buscas; o crescente autismo coletivo; o desprendimento dos ambientes físicos de trabalho – o que inclui mesmo cidades ou países; a integração de diversos produtos e serviços em dashboards; Metaversos e realidade aumentada; jogos de todos os tipos – brandeados, imersivos ou comunitários, como os do Facebook (e o Project Natal, que talvez um dia saia da prateleira); a pirataria e o fim dos conceitos antigos de propriedade intelectual; novos tipos de fetiche, de Otaku à culinária, visível em Julie & Julia; um progressivo achatamento cultural, que leva a uma vida mais amigável e menos interessante; crescimento de colaboração e filantropia; acessibilidade e culto à diferença; novos tipos de hardware desenvolvidos pelo usuário (tendência que se popularizou com kits abertos como o Arduino; dinheiro virtual; aumento do storytelling transmídia; maior importância das interfaces gráficas para transmitir grandes volumes de informação; propaganda orientada a valor… são tantas as tendências que em breve alguem deverá promover um mega saldão delas.
avemarketing: O que uma marca ou pessoa deve fazer para conseguir destaque na internet, de maneira saudável?
Só existe uma regra que sempre dá certo: observar. Tentar compreender o ambiente em que se está e o que se tem a oferecer antes de tomar qualquer atitude. Todo o resto é bobagem, já que estamos tratando de relações que, como as humanas, variam caso a caso e não pode haver regras absolutas.
avemarketing: Para finalizar, fale sobre seus projetos futuros e deixe algumas dicas aos nossos leitores.
Vou pular esta. Meu blog e twitter são minhas interfaces, os comentários deles são meu melhor feedback.
*Luli ainda nos brindou com um vídeo com uma de suas palestras, disponibilizado abaixo. Também imperdível!
E ainda tem gente que não acredita que o comércio eletrônico vai “pegar”. A Amazon.com comercializou 9,5 milhões de itens somente no dia 14 de dezembro (Fonte: Link). Outra informação interessante é que já há mais vendas do Kindle do que livro impresso, também na Amazon.
Impressionante né?!?
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Muito interessante o site da empresa Bauducco – criação da Almap BBDO - como ação para o Natal. A animação em flash conduz o internauta (com foco nas crianças) à uma interação com o “bom velhinho”. A internet proporciona a interação e isso deve ser buscado pelas empresas, nas suas ações na grande rede. Fica como dica a possibilidade de integração com mídias impressas e com ações no pdv, de forma a comunicar, além da marca citada, preceitos positivos como amizade, amor e harmonia entre os seres humanos.
Já imaginou um site, como o Youtube, “rachado” ao meio?
Uma das ações recentes que causam impacto na internet é a pseudo-intervenção em outros sites. A agência McCann Erickson desenvolveu a campanha “Re_” para o grupo empresarial espanholAcciona, com pseudo-intervenção no Youtube. Particularmente entendo que trata-se de ação que gera simpatia pela tecnologia e audácia utilizada, além do componente surpresa, approach ideal para prender a atenção. É o tipo de ação que poderia ser iniciada por um teaser.
Ponto positivo também para a produção requintada do vídeo. Veja o resultado no link a seguir:Re_acciona. Aproveite e veja o vídeo com o Youtube sendo literalmente “quebrado”, aqui.
O blog avemarketing teve acesso ao Dr. Donald K. Hsu, professor de Global e-commerce e International Management da Divisão da Administração de Negócios do Dominican College, Orangeburg, New York, USA.
Dr. Hsu, de origem chinesa e radicado nos Estados Unidos, é Bacharel em Ciências, Mestre e Ph.D. pela Fordham University. Já percorreu mais de 60 países e desenvolve atividade como consultor de finanças e projetos de e-commerce, além de ser autor de diversos artigos sobre pesquisa de marketing, e-commerce, global management e e-leader. Em 2008 presidiu a Conferência de E-Leader de Bangkok, na Tailândia. Em um rápido bate-papo durante o mês de novembro, Dr. Hsu concedeu entrevista exclusiva ao avemarketing. Veja abaixo (português/inglês).
avemarketing: Fale um pouco sobre o que é Global e-commerce/ Tell us a little about what Global e-commerce is.
Global e-commerce é comprar e vender globalmente pela internet. / Global e-commerce is buying and selling globally on the Internet.
avemarketing: Como desenvolver vantagem competitiva em mercados diferentes dos alcançados originariamente? / How to develop competitive advantage in markets other than those originally achieved?
Usando e-commerce, as empresas geram receita adicional, proporcionando assim a vantagem competitiva. /Using e-commerce, companies generate additional revenues, thus providing the competitive advantage.
avemarketing: Apesar da facilidade de informação proporcionada pela internet, as empresas pequenas ainda operam localmente. Como as empresas pequenas podem se estruturar para atuar em mercados globais? Quais os requisitos necessários? / Despite the easy access to information provided by the Internet, small firms still operate locally. How small firms can be structured to operate in global markets? What is it required?
Pequenas empresas devem ter a mistura certa de marketing, produtos e preços. O transporte, a logística e questões relacionados são os assuntos de maior importância. / Small firms must have the right mix of marketing, products and pricing. The shipping, logistics and related issues are major concerns.
avemarketing:Como você vê a ascensão dos países do BRIC no mercado internacional? / How do you see the rise of the BRIC countries in the international market?
A ascensão dos países do BRIC são o que chamamos de “mercados emergentes”. Estes quatro países tem população e motivação de muitos jovens. A Russia e o Brasil tem matéria-prima e grandes mercados locais. A India é lider em tecnologia e finanças. A China é lider em manufatura. A única outra área com crescimento significante será os países do EEC, em torno de vinte deles. O país líder é a Republica Checoslovaquia. / Yes, the rise of the BRIC countries are what we call “emerging markets.” These four countries have the population, motivation of many young people. Russia and Brazil have raw materials, and big local markets. India leads in technology and finance. China leads in manufacturing. The only other significant growth area will be the EEC countries, about 20 of them. The leading country is Czech Republic.
avemarketing: Fale sobre as estratégias de joint venture, licenciamento e fusões corporativas no e-commerce. / Could you talk about the strategies of joint venture, licensing and corporate mergers in e-commerce?
Durante os anos de 2000-2001, muitas empresas “ponto com” falíram. Como resultado disso, os proprietários dessas empresas começaram outros companhias. Eu vejo uma maior consolidaçao dessas empresas de e-commerce no futuro. / During year 2000-2001, many dot com companies went bankrupt. As a result, the owner of these firms started new companies. I will see more consolidation of these e-commerce firms in the future.
avemarketing: Quais as tendências em e-commerce? / What are the trends in e-commerce?
A tendência é definitivamente global. De grandes a pequenas empresas, elas utilizam e-commerce para começar os negócios, para conseguir vantagem competitiva ou para expandir seus negócios em novos países. / The trend is definitely global. From large firms to small firms, they use e-commerce to start business, to get competitive advantage or to expand their business in new countries.
avemarketing: Para terminar, deixe algum recado para quem quer se especializar em global e-commerce. / Finally, let a message for those who want to specialize in global e-commerce.
Há muitas oportunidades no global e-commerce. É preciso estudar, fazer pesquisa e abrir uma empresa para que se exerça esta área. /There are many opportunities in global e-commerce. One can study, do research, and start a company to practice this field.
Este blog tem objetivo de propagar informações corretas sobre a área do conhecimento marketing e também difundir boas práticas de gestão empresarial e de comunicação com uma linguagem atual e pragmática, a partir da visão do autor.
Opiniões e exemplificações estratégicas também circulam por aqui.
O nome
A expressão "Ave" é uma saudação e significa "salve!". Representa o desejo de vida longa a alguém ou perpetuação de alguma coisa. Um salve e vida longa ao marketing. Ave! Marketing.