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Artigo "Nossas empresas e o empreendedorismo"
domingo, 08 de março de 2009

Este artigo do professor e consultor  Elcio Fernando aborda o contexto das empresas brasileiras e sugere ações para a melhoria da capacidade empreendedora do nosso país.  "Cada empreendedor deve refletir sobre seu negócio e seus processos gerenciais afim de desenvolver produção inovadora e eficaz que solidifique o crescimento de toda a sociedade", afima Elcio Fernando.

 


 

 
Ao analisar todo o contexto que envolve as empresas brasileiras temos que considerar vários aspectos que precisam ser da ciência de todos para que possamos construir um país cada vez mais eficaz do ponto de vista empresarial. É fato que todas as instituições envolvidas em uma nação têm seu papel de responsabilidade em alavancar o crescimento econômico, que deve ser sustentado por ações conjuntas ou pelo menos coesas entre poder público, iniciativa privada, cidadãos em geral e demais organizações que compõem a estrutura principal de um país.
 
Temos problemas sérios a serem corrigidos em nossa estrutura atual e estes problemas não são apenas sociais. É momento de rever nossos conceitos e comparar-nos a situação de uma empresa que concorre em âmbito global. A partir desta proposta, nossa sociedade deve repensar as seguintes questões: somos competentes? Onde erramos? O que nos falta para que nossos processos sejam reconhecidos mundialmente? Nossas empresas são competitivas? O que temos produzido intelectualmente?
 
Diz o senso comum que o Brasil é um país empreendedor e que possui uma população eminentemente criativa que “se vira como pode”. Mas será que realmente estamos produzindo intelectualmente produtos e serviços de forma eficaz em todos os segmentos econômicos? De acordo com Maximiano (2000) eficácia é a capacidade de fazer as coisas certas, na hora certa, diferentemente do conceito de eficiência, também proposto por Maximiano (2000) como a relação entre a produção e a utilização dos recursos disponíveis, medido pela “produtividade”.  Cada instituição deve medir sua capacidade de eficácia e inovação, na aplicação de modelos de gestão que orientem as decisões para o mercado e para o alcance dos objetivos.
 
No investimento de um capital inicial em um negócio, qualquer cidadão tem responsabilidades civis e de retorno do capital através dos objetivos estabelecidos, além da possibilidade de contribuir com geração de emprego, renda direta e indireta (recolhimento de impostos, circulação de unidades monetárias), e desenvolvimento econômico. É a chamada ação empreendedora, que, para Timmons (1990) é uma revolução silenciosa muito mais poderosa que a revolução industrial. Porém, muitas de nossas empresas não são iniciadas a partir de oportunidades de marketing, mas sim de necessidade de sobrevivência do proprietário. Para Dornelas (2001) “o empreendedor é aquele que percebe uma oportunidade e cria meio – nova empresa, áreas de negócios e etc. – para persegui-la”. Complementa este raciocínio a idéia de que a “oportunidade de marketing é uma área de necessidade do comprador em que a empresa pode atuar rentavelmente” (KOTLER, 1995, p. 87). Importante distinguir as empresas que possuem processos ou produtos reinventados, conceitualmente citados como “inovadoras”, das empresas que são consideradas “seguidoras”, conforme Clark & Wheel Wright (1993). As empresas inovadoras desenvolvem identidade estratégica e acrescentam melhorias em métodos com consequente resultado mercadológico.
 
Para Malvezzi (1999) a atitude empreendedora representa para muitas pessoas uma alternativa frente a eliminação dos empregos formais causados pelos avanços tecnológicos e competição mundial. Na maioria dos casos, mesmo sem conhecimentos de processos de gestão e de todos os fatores determinantes para a abertura de um negócio, novas empresas surgem com foco em apenas um know-how central (normalmente produção de determinado produto ou serviço) e com pouquíssima informação sobre mercado.
 
Ao analisar a distribuição percentual das empresas brasileiras, nota-se facilmente que a maioria das empresas brasileiras são caracterizadas como micros e pequenas empresas - MPEs. Em conjunto, estas empresas respondem por 99,2% de todas as organizações empresariais constituídas formalmente em nosso país, conforme apresentado na tabela 1.
  
Tabela 1 – Distribuição percentual do número de Empresas, por porte e setor de atividade – 1996 - 2002
  
            Este dado, apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e elaborado pelo Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE possui números relativos até o ano de 2002 e mostram como o incremento de negócios de pequeno porte[1] tem importância crucial em nosso dia a dia e que, para aperfeiçoarmos nosso status de país emergente, é imprescindível o desenvolvimento destas organizações.
 
Ademais, não é só a necessidade urgente de sobrevivência como motivo de abertura de empresas que constitui aspecto preocupante para nossa capacidade de crescimento contínuo. Outra característica é o baixo tempo de escolaridade média, conforme observado em pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor - GEM 2007 para os empreendedores iniciais de pequenas e micro empresas. De acordo com o estudo, em 2007, 3% dos empreendedores iniciais não tinham nenhuma educação escolar formal; 25,7% possuíam de um a quatro anos de estudo; 54% de cinco a onze anos de estudo e 17,3% com mais de onze anos freqüentados em escolas, conforme tabela 2.
 
Tabela 2 – Empreendedores iniciais por escolaridade no Brasil – 2002 a 2007
 
  
Outro fator a ser considerado é que há uma proporção entre a quantidade de anos de estudo e a consciência da necessidade de mais conhecimentos para a abertura de um negócio e conseqüente sucesso do mesmo, ou seja, à medida que as pessoas buscam o aperfeiçoamento contínuo cria-se a capacidade do desenvolvimento da visão conceitual, que constitui na habilidade de refletir sobre a empresa em uma amplitude total, considerando os fatores externos e internos no qual um empreendimento está exposto. O crescimento econômico e o fortalecimento das atitudes empreendedoras encontram sustentáculo no crescimento da capacidade intelectual dos novos e atuais empresários e de todos os colaboradores das organizações, dentro do contexto profissional. Ao projetar o crescimento econômico, urge preparar as pessoas para a produção eficaz de conhecimento e para a ação de uma produção ativa intelectual constante e inovadora. Dados do Word Bank (2000) indicam o patamar de 16,1% da população brasileira matriculada em educação superior, número substancialmente baixo sob vários níveis de análise e também em comparação com outros países, como por exemplo, Austrália, Áustria, EUA, Japão e Tailândia com respectivamente 65,4; 56,0; 69,2; 47,4 e 34,2%.
 
Somam-se a estes fatores o índice alto de mortalidade das novas empresas abertas, responsáveis pela matriz econômica e empregatícia[2] do país. Segundo pesquisa (ver tabela 3) propalada no boletim “Fatores Condicionantes e Taxa de Mortalidade de Empresas no Brasil”, publicação do SEBRAE, com vários empresários, os fatores mais determinantes para a mortalidade empresarial são, pela ordem das respostas, a “falta de capital de giro”, “impostos altos/tributos” e “falta de clientes”.
 
Tabela 3 - Ranking das dez principais razões para encerramento das atividades da empresa extinta, segundo as opiniões espontâneas dos proprietários (Brasil)
 
 
Entretanto, vários itens apresentados na tabela 3 são conseqüências, e não exatamente causas de falência, diferentemente do que concluem os empreendedores entrevistados. A causa mais recorrente e implícita aos fatos é a falta de análise/diagnóstico do ambiente de marketing e ausência de desenvolvimento do planejamento estratégico do negócio, representado pela realização de um completo Plano de Negócios e estudo de mercado e utilização do Marketing como filosofia empresarial, além de desconhecimento sobre processos internos de gestão tais como, administração financeira e contabilidade gerencial, planejamento de produção, custeio e precificação e análise de rentabilidade, diferenciação entre tática e estratégica, dentre outros. A destacar, da mesma forma, carência de organização de procedimentos operacionais e ausência de diferencial competitivo e inovação em muitos negócios.
 
Este cenário deve ser modificado e para isso várias ações conjuntas devem ser adotadas para, a médio e longo prazo, solidificar o crescimento econômico brasileiro com empresas com potenciais de perpetuação, crescimento e inovação constante.  A tabela 4 apresenta várias ações como sugestões para o aprimoramento da capacidade empreendedora.
 
Tabela 4 – Ações para fomento da capacidade empreendedora do país
 
  
Dentre as várias ações sugeridas como estímulo para discussão acerca do subsidio ao crescimento do país, destaca-se a mudança de mentalidade educacional, adaptação de grade curricular e a aproximação ou parceria entre universidades e organizações empresariais. Nossa capacidade intelectual esvai-se na necessidade urgente de sobrevivência financeira de nossos alunos. O país e a sociedade como um todo orienta os jovens através de um modelo de formação de mão-de-obra antiquado, em detrimento da pesquisa científica, idéia amplamente desconhecida para a maioria dos jovens aprendizes, seja em ensino fundamental, cursos técnicos e universidade. Nossos jovens, com algumas exceções, não são preparados para pensar no futuro, mas sim para buscar o imediatismo, em um contexto individualizado. Paradoxalmente ainda temos uma multidão de pessoas que não se qualificam anualmente e consequentemente tem dificuldades de acompanhar o desenvolvimento mundial e que se somam a outros empreendedores potenciais.
 
O contexto econômico mundial estabelece regras competitivas que fluem diariamente e impõe  à sociedade uma veloz retroalimentação empresarial que, sem investimento em formação da capacidade intelectual para desenvolver empresas inovadoras, éticas e competitivas, não surge condições de produção sustentável em médio prazo e o crescimento sempre estará a mercê de investimento e tecnologias externas, repletas de alto valor agregado. Desenvolver as pequenas empresas é o "motor" que alavancará todos os rincões deste território continental para um crescimento econômico mais uniforme, propiciando aumento do poder aquisitivo e maior giro de dinheiro nos mercados consumidores.
 

 [1] Estatuto da Micro e Pequena Empresa (Lei n° 9.841, de 5 de outubro de 1999) considera microempresa aquela com faturamento bruto anual de até R$ 433.755,14 e pequena com faturamento bruto anual de até R$ 2.133.222,00. Para o regime tributário especial (Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 – Simples), a microempresa tem faturamento até R$ 120 mil e a pequena até R$ 1,2 milhão. Esses valores foram revistos pela Lei n° 11.196/2005 para, respectivamente, R$ 240 mil e R$ 2,4 milhões. Para efeitos tributários, existem diferentes definições empregadas por cada um dos Estados em seus programas de apoio à micro e pequena empresa – Simples Estaduais. Assim, uma pequena empresa para o governo federal pode não ser uma pequena empresa para o governo estadual e vice-versa. Fonte: CNI;Sebrae. Relatório Especial da pesquisa Indicadores de Competitividade na Indústria Brasileira, dedicado aos resultados das micro e pequenas empresas. Brasília, 2006.

 
[2] Os micros e pequenos empresários respondem por 57,2% dos empregos formais do Brasil. Fonte: SEBRAE.

Referências Bibliográficas

 

BANCO MUNDIAL Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento. Informalidade: saída e exclusão. Washington, DC. Disponível em: <www.bancomundial.org.br>;

 
CLARK, K. B. & WHEELWRIGHT, S. C. “Managing New Product and Process Development: Text and Cases”. Free Press. New York, 1993;
 
DOLABELA, Fernando. O Segredo de Luísa. Ed: Cultura Editores Associados, São Paulo, 1999;
 
DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: Transformando Idéias em Negócios. Campus, Rio de Janeiro, 2001;
 
GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR. Empreendedorismo no Brasil. Curitiba/PR, 2008;
 
IBGE PNAD PESQUISA NACIONAL POR AMOSTRA DE DOMICÍLIO. v. 27, p.1-125. Rio de Janeiro: IBGE, 2006;
 
KOTLER, Philip. Administração de Marketing. Análise, Planejamento, Implementação e Controle. Ed. Atlas, 5º Edição, 1995;
MALVEZZI, S. Mercado informal, empregabilidade e cooperativismo: as transformações das relações de trabalho no mundo contemporâneo. Cad. Psicol. Social do. Trabalho. v. 2 São Paulo, dez. 1999;
 
MAXIMIANO, Antonio C.A. Introdução à Administração. Editora Atlas. 5º Edição: São Paulo, 2000;
TIMMONS, J.A., New Venture Creation, Homewood IL:IRWIN, 1990;
SERVIÇO NACIONAL DE APOIO AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Boletim Estatístico de Micro e Pequenas Empresas. São Paulo, 2005.

 

Elcio Fernando Del Prete Miquelino. Bacharel em Comunicação Social, Publicitário ( MTB 04773 ), Especialista em Marketing e MBA em Marketing. Atualmente é Professor Universitário, sócio-proprietário do Itam - Instituto de Treinamento e Assessoria em Marketing Ltda e Consultor em Marketing.

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