• A força do branding na propaganda

    Por Eugênio Bispo*.

    A Nissan chega ao Brasil mostrando porque a gestão da marca é um assunto extremamente importante. Não sei se foi de propósito ou intencional, o fato é que a Nissan acertou em cheio na mensagem do comercial do March. No Brasil até então não tínhamos conhecimento de algo desse porte. Nos Estados unidos é comum esse tipo de propaganda, mas no Brasil a Nissan chega para mostrar que a marca tem um objetivo fundamental, principalmente na indústria. Até agora o que tínhamos visto era apenas o produto, ou seja, formato, design, tecnologia, desempenho, durabilidade, mas o principal ainda não tínhamos visto. A Nissan mostra os processos de transformação do produto, principalmente os indicadores de qualidade. Os testes feitos pela Nissan compravam a qualidade e segurança do veiculo, fatores essenciais em qualquer produto principalmente na indústria. O consumidor não tem essas informações por isso o objetivo da marca é transmitir essas informações até porque na indústria, a marca é o único indicador de qualidade.

    E esse foi o objetivo da Nissan, transmitir informação fundamental e relevante para os consumidores. Esse é o objetivo da marca. Parabéns a Nissan pelo comercial e por mostrar que a marca significa muito mais do que a sua simples identificação. O planejamento e o desenvolvimento da marca na indústria é algo extremamente essencial. Não estamos lidando simplesmente com um produto, estamos lidando com um bem extremamente valioso e o consumidor precisa estar bem informado sobre esse bem (marca). Assim a marca vai dialogando, conversando com o público, mostrando porque o branding tem dentre outros objetivos criar diferenças, sobretudo na propaganda. Isso sim é branding e não conversa fiada (bla bla blá). Fica aqui um alerta! Muito cuidado na hora de escolher uma empresa especializada no assunto.

    *Eugênio Bispo é diretor da Global Consultoria, empresa especializada em marketing e em planejamento e desenvolvimento de marcas. Contato: globalconsultoria10@yahoo.com.br

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  • Sedução ao pé da letra

    Que a publicidade (texto publicitário) utiliza de uma linguagem sedutora, todos nós sabemos, apesar de que os anúncios não predispõe automaticamente a compra e consumo direto de um produto/serviço e conforme Gade (1998) “existe grande controvérsia sobre até que ponto a propaganda e outros tipos de promoção conseguem persuadir o consumidor a usar produtos de que não tem necessidade ou que não deseja”.Ou seja, as bases sempre serão as necessidades, desejos e motivações internas que levam o indivíduo ao consumo. Este entendimento, inclusive, proporciona várias possibilidades de debates no âmbito da publicidade infantil por exemplo, apesar que defendo que á criança cabem uma série de cuidados, mas nunca o impedimento da criação de oportunidades para discernimento sobre o certo e errado, monitorado por adultos.

    Bem, mas sobre a sedução em si, temos as proposições de Baudrillard(1995) na qual a sociedade prega a felicidade individual e para esse o consumo pode ser uma alternativa. Ainda, para o mesmo autor, os objetos estão inseridos em um contexto de arranjo e ambiente, facilmente percebidos nas peças publicitárias e na linguagem sedutora. Ou seja, para Baudrillard, os objetos estão em relação intensa com tudo que o cerca e quem o usa  – “ambiência”.  A publicidade, então, cria esse “jogo”, ou seja, confere ao ser humano a visão dele mesmo inserida no ambiente e, na maioria dos casos, com sedução, conforme os desejos humanos.

    Tal análise e situação pode ser observada em vários tipos de comunicação publicitária, mas quero socializar uma em particular. A comunicação do Fiat 500 Abarth. Nesta veiculação, o uso de objeto-ambiente é reforçado com uma original linguagem sedutora, senão literal, ao ser humano inserido no processo.

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  • Inspiração Renascentista

    "A última ceia" - Leonardo Da Vinci

    Certa vez li que todos nós nascemos com “alguma genialidade” de Leonardo da Vinci, o problema é que não sabemos e por vezes somos tolhidos nas próprias escolas abandonando nossas possibilidades de criatividade.

    Da Vinci, nasceu em 1452, próximo a Firenze e foi um dos grandes nomes do renascimento com suas pinturas. Curioso por natureza, ele fazia muitas coisas ao mesmo tempo e dedicou-se a entender áreas diversas como física, mecânica, astronomia, física, biologia e muitas outras. Tudo era palco de exploração e experimentação das cores da natureza aos pássaros, obteve suas inspirações ali no seu próprio universo. Passou a segunda metade de sua vida, escrevendo e deixou um legado de mais de quatro mil páginas manuscritas que hoje fazem parte de acervos de importantes museus.

    Quantas vezes nos perguntamos se somos suficientemente criativos, como obter ideias inovadoras e, como se fosse um botão, desejamos ligá-lo na hora que precisarmos. Buscamos diversas fontes de inspiração, mas na maioria das vezes ela não “acende” como sugerem algumas imagens de lâmpadas.

    Quando crianças boa parte da geração da minha geração, brincou de construir castelos de areia, fez comidinhas com barro, testou a luz dos vagalumes em ambientes fechados. Quis entender como a borboleta nasce tão feia e fica tão bela depois. Quando crianças perguntamos “por que” sem medo de dizer que nada entendemos do mundo ainda. Exploramos todas as possibilidades e formas de achar respostas para nossas questões mais simples.

    A anatomia da criatividade está presente na maioria das crianças, mas na medida em que crescemos somos encorajados ou reprimidos a expor essa faceta. O ambiente pragmático que vivemos, apaga de certa forma nossa curiosidade pela vida, nosso lado explorador e experimentador.

    As inspirações para criar, de soluções simples do dia-a-dia as mais difíceis decisões de nossa vida profissional, podem ocorrer no mais puro deleite de um bom banho de chuveiro, uma soneca à tarde, ou naquele momento de ócio criativo, cada vez mais raro.

    Mas justamente nesses momentos, as ideias nascem, afloram e nos sentimos criativos novamente, simplesmente por que não temos censura e rédeas, deixamos nosso lado explorador e curioso da infância, prosseguir sem medo.

    Da próxima vez que se deparar com um problema a ser resolvido, crie coragem para correr riscos. As inspirações não ocorrem por acaso e são resultados de muita experimentação, iterações (repetições) e aprendizado obtido com erros anteriores. Liberte seu lado experimentador para inovar, a inspiração certamente virá mais facilmente.

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  • A lata branca da Coca-Cola

    Imagem daqui: http://oblogdastorm.wordpress.com

    E a famigerada lata branca da Coca-Cola continua dando o que falar. Planejada para fazer parte de uma promoção que une consciência ambiental sobre o risco de extinção dos ursos polares e ajuda financeira para a organização World Wide Fund – WWF (a própria The Coca-Cola Company fez um donativo inicial de USD 2 milhões), a embalagem branca aparentemente não caiu no gosto dos consumidores conforme informações em sites (1, 2, 3). Apesar da companhia não propagar informações oficiais sobre o caso, fato é que as embalagens estão sendo trocadas por versões na cor clássica – vermelha – e, ao que tudo indica, a percepção negativa com a mudança de cor falou mais alto. Toda prática que implica na mudança de elementos semióticos (estímulos) de identificação da marca/produto com a cognição inicial possui risco de rejeição (a própria Coca-Cola já vivenciou episódios negativos quando lançou a New Coke em 1985) que são estudados pelas ciências da comunicação nos modelos semiótico – O modelo semiótico de comunicação é aquele em que a ênfase é colocada na criação dos significados e na formação das mensagens a transmitir. Do ponto de vista prático, além da rejeição à nova embalagem, houveram relatos de confusão com o produto Diet da mesma empresa.  A marca Coca-Cola e todos os aspectos que a cercam estabeleceram ao longo do tempo uma simbiose com o país de origem, fazendo dos consumidores coadjuvantes na história do produto e é essa relação que se quebra quando elementos típicos são alterados. Em casos como esse, é possível ser utilizado displays específicos com muita comunicação no ponto de venda para que a confusão não ocorra e seja imediatamente sanada, ressaltando o caráter da promoção ambiental em conjunto com a WWF.

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  • A privacidade nas redes sociais

    Imagem: veja.abril.com.br

    Não é de hoje que a discussão sobre a privacidade na internet inflama especialistas e entusiastas do assunto. A matéria em questão, que envolve comportamento humano, tecnologia, direito civil e comunicação, ficou mais pertinente com o aumento substancial das ferramentas digitais de relacionamento na internet, as redes sociais.

    Posto que o dilema a ser respondido é: quem entra em uma rede social abre mão do preceito da privacidade? Muitos defendem a ideia de que, a partir do momento que o indivíduo cria um perfil social, está suscetível a exposição de fatos cotidianos e de seu comportamento e, assim, diminui consideravelmente seu caráter privativo. Antes de mais nada, é necessário compreender a definição e extensão do significado da palavra privativo/privacidade. Privacidade “é a habilidade de uma pessoa em controlar a exposição e a disponibilidade de informações acerca de si” (Fonte: Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Privacidade).  Ainda, “O direito à privacidade, concebido como uma tríade de direitos – direito de não ser monitorado, direito de não ser registrado e direito de não ser reconhecido (direito de não ter registros pessoais publicados) – transcende, pois, nas sociedades informacionais, os limites de mero direito de interesse privado para se tornar um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito” (VIANNA, Túlio. Transparência pública, opacidade privada. p. 116. 2007). Pois bem, como caracterizar o limite da privacidade em sites como o Facebook? Uma função disponível no serviço criado por Mark Zuckerberg é a marcação, ou seja, um usuário pode “marcar” e “linkar”/vincular um outro participante a qualquer fotografia ou imagem postada por si,  Ora, mas essa função não fere justamente a ideia de privacidade, conforme exposto acima? A Constituição Federal (1998) e também o Código Civil (Lei 10.406/02) assegura aos cidadãos os chamados “Direitos Pessoais”. Afirma o art. 5, X, da Constituição, que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.

    Ainda, mais recentemente, a mesma rede de relacionamentos disponibilizou uma nova função chamada de ‘Ticker’. Tal recurso fica acessível em uma barra lateral a direita e, com ele, todo participante da rede tem acesso, em tempo real,  as atividades dos seus amigos. Mais uma vez, não fica o direito assegurado por Lei, violado?

    Função Ticker no Facebook

    Por outro lado, o comportamento humano manifesta-se por desejos, instintos, psiquê, evolução biológica e a partir das influências do ambiente que cerca o indivíduo e de seu conhecimento. Ou, coloquialmente, em corpo e mente. Já LOCKE (280-286) atribuiu o pensamento e comportamento humano ás suas habilidades sensoriais. Já, para HUME, David (287-301), “o homem é composto por impressões e ideias”. No século XX, Skinner definiu o que ficou entendido como “Behaviorismo Radical” (1940), ao refutar alguns conceitos do behaviorismo filosófico (Watson) e estudar o conceito do ” Reflexo Condicionado” de Pavlov. Para Skinner, o homem é um ser único, indivisível entre corpo e mente e que se manifesta a partir do princípio do estímulo-estímulo, ou seja, reage conforme o ambiente. Para Freud, em resumo, as respostas estão na relação entre consciente e inconsciente e relação das fases criança-adulto, em um indivíduo. “O comportamento é definido como o conjunto de reações de um sistema dinâmico em face às interações e realimentações propiciadas pelo meio onde está inserido” (Fonte: Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Comportamento). Um dos comportamentos sociais humanos é a exposição social, desejo de ser visto e rev(f)erenciado.

    Assim, podemos afirmar que o sucesso das chamadas redes sociais está justamente alicerçada no comportamento social. Nesse contexto, o homem utiliza a percepção que possui dos outros e a percepção que os outros têm dele mesmo para a construção de seu próprio padrão, reforçado intrinsicamente pela natureza curiosa. Também, conforme termo criado por Debord, Guy (1967), vivemos em uma “sociedade do espetáculo”. “…Debord explica que o espetáculo é uma forma de sociedade em que a vida real é pobre e fragmentária, e os indivíduos são obrigados a contemplar e a consumir passivamente as imagens de tudo o que lhes falta em sua existência real.” Fonte: Disponível em http://pt.scribd.com/doc/16664247/Guy-Debord-A-sociedade-do-Espetaculo.

    Por conseguinte, a reflexão reitera a menção clara de um dilema. Sobram argumentos condizentes com a perversidade causada pela violação da privacidade e suas implicações legais, e sobre a base comportamental que propaga o crescimento das redes sociais, facilitadas pela internet. Soma-se a esses fatores o crescimento exponencial e alta frequência de acesso a sites como facebook, que escancaram outro tema, porém tampouco menos importante: a compulsão pela informação.

    Mas e você, o que pensa a respeito? Deixe um comentário com sua opinião sobre a privacidade e o facebook.

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